09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Paulo Neves, o professor


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Com 62 anos de idade, fiz o curso de Teatro Livre, entre alunos de 12 a 22 anos. Uma loucura? Penso que não, levando em conta que aquelas garotas, no palco, muitas vezes contracenam com homens de mais idade que a minha, no papel de um avô, etc... Somente que esses idosos, normalmente fizeram o curso há anos, quando garotos. Cheguei ao final do curso porque na primeira aula o professor Neves comentou que, infelizmente, nas aulas de teatro tem sempre poucos homens, o ideal seria um equilíbrio.

Entendi o recado e fui continuando, encontrando na amiga Viviane Xérida Gomes (que ficará sempre na minha lembrança) o resto do apoio que faltava. Desde a primeira aula fez questão de me cumprimentar, pedindo para não desistir do curso! É possível, em um curso tão difícil como o de teatro, uma pessoa da minha idade entre garotos? Acredito que sim, sendo o professor um Paulo Neves, que tão bem soube administrar a minha presença ali. Outro mestre, duvido, o desastre seria iminente, com alguém saindo machucado!

Estou imaginando o que seria uma das alunas, sozinha, participando de curso semelhante entre pessoas da terceira idade? Avalio dessa forma o mérito do nosso professor! Mestre, obrigado por tudo! Agradeço todos os orientadores contratados que ministraram aulas para nós, porém destaco o mestre de Capoeira Baianinho, que, em todas as apresentações fazia questão de, terminado o espetáculo, cumprimentar todo o elenco! Nosso professor, Cleber França, e, em seguida, assumindo o papel de diretor da nossa peça “Coisas roisianas”, também meus sinceros agradecimentos. Sempre disposto, incansável, passando noites sem dormir, e ainda vindo dirigir os alunos!

Quase no final do curso, saindo da Casa da Cultura encontrei uma das alunas; a garota falou que eu deveria ter quarenta anos a menos, as coisas seriam mais fáceis para mim! Fiquei sempre à vontade naquele meio, porém sabendo o “meu lugar”, nunca participando de rodinhas, pois isso seria ridículo, o papo é outro!

O encontro com a colega de curso, professor, foi na entrada, acesso ao Teatro Municipal, que leva o nome de vossa mãe, em cujo local poderiam ter sido exibidas as quatro peças. Admiro a vossa bravura, quando da abertura das exibições falou do Teatro Municipal. Devido que a biblioteca estava fechada para arrumação dos livros, fui ao colégio Preve-Objetivo pesquisar as obras de Guimarães Rosa. Foi a mesma escola que colocaria a vossa disposição o local para apresentação das peças. Destaco também os alunos Marcelo A. Oliveira, trabalhando em todas as peças, e o menino Alexandre Pegoraro, um grande amigo! Por último, nada disso seria possível, se não tivesse na retaguarda, “a esposa”! (Nelson Pires de Freitas - RG 10.969.613)