09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Da disposição para ser feliz


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Existem pessoas que estão sempre dispostas para a infelicidade, como aquela mãe que se sentiu muito infeliz porque deu três lindas gravatas ao filho e ele só estava usando uma; essas pessoas estão sempre procurando motivos para sofrer. Outras, na diversidade imensa da psique humana, recusam-se a serem infelizes; elas procuram sempre explicar e minimizar o que para outras seriam causas de sofrimento e, com isso, sentem-se sempre felizes. A essas, quando a infelicidade maior, como a morte, por exemplo, ocorre levando alguém muito amado, consolam-se pensando que a morte, conforme a filosofia judaico-cristã mais avançada preconiza, é apenas a volta à verdadeira vida, na pátria espiritual de todos os filhos de Deus, onde haverá um dia um reencontro feliz. Se perdem um amor, pensam logo como na canção “quem levou o meu amor, deve ser um meu amigo, levou pena, deixou glória, levou trabalho consigo” e também que se ele(a) não me quer, tem quem queira. Se roubam-lhe o automóvel, pensa que isso poderia lhe evitar um desastre automobilístico e se um negócio não deu certo é porque talvez mais tarde viesse a lhe dar algum prejuízo mais grave e se uma dor o atinge, é para que cuide melhor da saúde; se for dor moral, é só racionalizar que para tudo existe alguma explicação, algum jeito de se livrar desse sofrimento. Enfim, aquele que está a fim de sofrer e ser infeliz, há de achar sempre motivações para isso, da mesma forma que aquele que se dispõe a ser feliz, com certeza há de encontrar na vida e a partir de dentro de si mesmo, todos os motivos para se manter, senão totalmente feliz, pelo menos relativamente feliz, sem nenhum tipo de sofrimento. Então que tenhamos sempre, na vida, disposição para ser feliz, começando por amar, para ser também amado(a). (Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras - cad. 12)