08 de julho de 2026
Turismo

Ribeirão Preto

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

A analogia que acontece com Bauru, cujo nome está sempre associado ao sanduíche originado no Ponto Chic, ocorre, embora em menor escala, com Ribeirão Preto. A cidade de mais de 500 mil habitantes, terra do recém empossado ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, é conhecida como a “Califórnia Brasileira” e o território do chope mais famoso do Brasil.

E a alusão tem razão de ser. Há mais de 50 anos, Ribeirão Preto tem a honra e a glória de contar com a choperia Pingüim, um marco na cidade.

Acompanhando a evolução do município, a choperia se transformou em uma grande rede, com unidades espalhadas pelos três shoppings de Ribeirão, mas sua “pedra fundamental” continua no Quarteirão Paulista, mais precisamente na Praça XV de Novembro, onde no século passado se instalou a então Cervejaria Antarctica.

A casa, que tem o chope mais festejado do País, é um dos cartões de visita de Ribeirão Preto. Inaugurada em 10 de novembro de 1943, pelo seu fundador Nicolás Miranda, o Pingüim 1 funcionou no Edifício Diederichsen até ser fechado em agosto de 2001.

Reinaugurado em dezembro, o espaço abriga hoje o Museu do Pingüim e do chope. Do outro lado da rua General Osório, continua funcionando, firme e forte, o Pingüim 2, reunindo gente de todas as partes em busca de chope servido em tulipas de cristal.

Por baixo, calcula-se que mais de 2 mil pessoas consumam mais de 2 mil litros de chope diariamente só naquele espaço. Quando a loira de colarinho chega para ser consumida em tulipas transparentes, já passou por um processo de resfriamento em mais de 800 metros de serpentina, que garante uma bebida especial na saída da bomba.

Segredo do sucesso

Como o chope de Ribeirão Preto ultrapassou fronteiras, algumas lendas surgiram em torno da bebida. “Habitués” do Pingüim 1 tinham a pachorra de afirmar que a bebida era canalizada diretamente da fábrica. Já imaginou o número de ligações clandestinas, se o feito fosse verdadeiro?

O que ocorre, com certeza, é a preocupação dos proprietários em oferecer o melhor aos clientes. Para servir um produto de qualidade, as casas chegam a perder de 20% a 25% de chope. Todo esse cuidado e a atenção dada pelos garçons, muitos já com as cabeças cobertas pelos fios do tempo, fez com que por anos fossem cativando fregueses que acabaram passando de boca em boca a fama do lugar.

Hoje, as choperias são um marco da cidade que, pela proximidade com o Triângulo Mineiro, Campinas, Bauru e Barretos, entre tantas outras localidades do Interior Paulista, se tornou uma opção diferente para quem quer curtir o final de semana, de jeito diferente, longe do mar ou do campo.

“O Rei do Gado”

Benedito Rui Barbosa, autor de várias novelas de época da televisão brasileira, é um apaixonado por Ribeirão Preto e sua história. Tanto assim que foi na cidade da “terra roxa” que filmou muitas cenas de “O Rei do Gado”.

Embora tenha se tornado uma metrópole, com trânsito agitado, comércio pulsante e vida noturna que nada fica devendo aos grandes centros, Ribeirão Preto conserva um ar interiorano. E isso a torna peculiar. Um lugar onde há excelente infra-estrutura, mas ainda pode-se sentar à sombra de frondosas árvores para jogar conversa fora.

Café, a personagem

Embora o café não ocupe mais as atenções nas rodas de bate-papo, continua sendo personagem principal do passado da cidade. Tanto assim que existe em Ribeirão Preto um museu próprio para reverenciar o ciclo do “ouro preto”.

O Museu do Café, assim como o Museu Histórico e da Ordem Geral, está instalado na antiga sede da Fazenda Monte Alegre e tem um acervo que conta a história de Ribeirão Preto através de peças antigas, fotografias de época, quadros e outros objetos.

A Fazenda Monte Alegre pertenceu ao coronel Francisco Schmidt, conhecido na época como “Barão do Café”. Foi construída em 1870, sendo um dos poucos edifícios preservados da época.

Hoje, o antigo casarão abriga o Museu Histórico, que foi oficialmente fundado em 28 de março de 1950. Possui acervo variado, distribuído entre salas da República, Numismática, Emografia, Mineralogia, Etnologia Indígena, salas de artes, peças históricas de Ribeirão Preto e região, Botânica, Zoologia, fotografias, pavilhão Duque de Caxias e história do café.