O Banco do Brasil entrega hoje aos membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras os microfilmes de aproximadamente 60 cheques nominais emitidos pela Câmara Municipal para pagamento de fornecedores.
O levantamento foi feito de acordo com as solicitações dos cinco vereadores que integram a comissão de investigação, que são Luiz Carlos Valle (PSB), João Parreira (PSDB), José Humberto Santana (PV), José Eduardo Ávila (PPB) e Pastor Luiz (PL).
O período investigado pela CEI inicia-se em janeiro de 2001 e chega até os dias atuais. O pedido foi encaminhado pela comissão de investigação há cerca de um mês, mas o rastreamento envolve aspectos técnicos e burocráticos.
Depois que o Banco do Brasil entregar os microfilmes dos cheques à comissão de investigação, será necessário separar aqueles que não foram depositados nas agências da instituição financeira.
Nos cheques recebidos por esse banco - que calcula-se seja a maioria - foi possível fazer o rastreamento da operação financeira. Mas o mesmo não vai ocorrer com aqueles depositados em outros bancos.
Nesse caso, a CEI das compras terá que oficiar à gerência das outras instituições financeiras pedindo a microfilmagem dos documentos e seu rastreamento.
Revelações
O presidente da comissão de investigação, Luiz Carlos Valle, destaca a importância dos microfilmes que vão chegar hoje.
“O que vamos receber amanhã (hoje) é muito importante porque será a confirmação dos destinos dos cheques. Vamos saber se os cheques foram depositados nas contas bancárias devidasâ€, explica.
No calhamaço de documentos que devem ser analisados pela comissão vai constar, por exemplo, o cheque da Câmara Municipal emitido nominalmente à empresa Volare Comércio e Obras Ltda, no valor de R$ 1.682,58, depositado pelo vereador Osvaldo Paquito (PPS) na sua conta bancária.
O parlamentar alega que ajudou o pintor de paredes Paulo Antonio Velasco a receber o pagamento por serviço prestado ao Poder Legislativo, já que ele não tinha conta bancária.
A microfilmagem dos cheques também vai mostrar a veracidade das informações prestadas à CEI pelos proprietários das empresas Delta Informática, estabelecida em Lençóis Paulista; AP Microfilmagem e Baurutec - as duas últimas com sede em Bauru.
Suspeita-se de que cheques nominais emitidos pela Câmara a essas empresas tenham sido trocados e depositados entre as suas contas correntes, o que configuraria uma triangulação.
Para o vereador João Parreira, membro da CEI, o rastreamento será a prova documental que a comissão de investigação precisa para fazer o relatório final das apurações.
“Eu quero pôr os olhos nesses cheques, principalmente no endosso. É fundamental que sejam colhidas provas de toda essa situaçãoâ€, diz.
Já o relator da CEI, José Humberto Santana, acredita que a partir da análise dos microfilmes será possível determinar, por exemplo, a convocação do vereador Paquito, do pintor de paredes e dos proprietários da Volare Comércio de Obras Ltda.