08 de julho de 2026
Política

Vereador questiona doação de banco

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O vereador José Clemente Rezende (PSB) avalia como “estranha” a doação que o Grupo Santander-Banespa vai fazer à Prefeitura de Bauru, ao custear a impressão de 240 mil carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em troca de publicidade nos talões. Para o parlamentar, há indícios de ilegalidade e imoralidade.

Ontem, um diretor da gráfica Omega, estabelecida no Rio de Janeiro, informou que a prefeitura não homologou o contrato para a prestação do serviço, já que sua empresa saiu vitoriosa do processo de licitação por oferecer o menor preço: R$ 63.546,00.

“Quero deixar bem claro que não sou defensor desta ou daquela empresa que participou da licitação. Mas eu não acredito em Papai Noel”, diz, em tom irônico.

O parlamentar acha estranho o fato de a prefeitura revogar a licitação e destinar a impressão dos carnês a uma instituição privada. “A primeira empresa classificada ofereceu R$ 63 mil pelo serviço. Como uma instituição vai doar R$ 63 mil à prefeitura sem ter benefício algum?”, questiona.

Clemente explica que a lei de licitações permite que o administrador revogue a licitação, mas em casos específicos.

“Vislumbro nessa situação, caso seja confirmada a troca da impressão pela publicidade, uma ilegalidade e até imoralidade do administrador público. A lei de licitações não permite”, afirma.

Segundo ele, a partir do momento que há um ajuste entre um órgão público e uma empresa privada, configura-se uma contrapartida.

“Se existe uma contrapartida, fica caracterizado que teria que haver uma licitação para abrir a oportunidade de doação dos carnês a outras empresas”, opina.

O parlamentar lembra que, recentemente, a administração municipal constituiu uma comissão para avaliar um grande número de processos licitatórios cancelados.

“Essa comissão está avaliando os motivos dos cancelamentos desses processos. Agora, o cancelamento de uma licitação como essa, com uma empresa vencendo com preço menor, é no mínimo estranha”, analisa.

Operação legal

Na avaliação do secretário interino de Negócios Jurídicos, José Roberto Anselmo, a doação pelo Grupo Santander-Banespa do serviço de impressão dos carnês do IPTU é uma operação normal e legal.

“A administração municipal está aberta a todos os empresários, lojistas e comerciantes que desejam doar prestações de serviços ou impressões de carnês. Há espaço para todos”, garante.

Anselmo confirma que a prefeitura fez o processo de licitação para contratar a impressão dos carnês. “Mas a partir do momento que o banco disse que pagava pelo serviço, seria estranho se não aceitássemos”, opina.

Para o secretário não há meios legais para se fazer uma licitação visando uma doação. “Isso não existe. O importante é que estamos economizando para o município.”

Ele garante que não há qualquer risco do banco estar se apropriando das informações contidas no cadastro de contribuintes do IPTU. “O cadastro não passa pelo banco. Vai direto para a gráfica. O banco tem as suas próprias fontes para atingir os seus interesses mercadológicos.”

A assessoria de imprensa do Santander-Banespa informou que a direção do grupo não vai se manifestar sobre o assunto.