11 de julho de 2026
Bairros

'Está faltando amor entre as pessoas', diz Sebastião


| Tempo de leitura: 3 min

Com a experiência que os 93 anos de vida lhe deram, sendo quase 70 dedicados aos pobres, Sebastião Paiva mostra-se preocupado com a situação do Brasil e aconselha mais amor entre as pessoas. “A pobreza não acaba nunca”, diz.

Para ele, o País e o mundo mudarão para melhor somente se as pessoas preocuparem-se mais uma com as outras e ajudarem-se mais. Seu Paiva, como é conhecido, diz que muitos afirmam ser cristãos, mas poucos praticam a doutrina de Jesus Cristo. â€œÉ cada um por si e Deus para todos. Ninguém pensa que pode morrer amanhã, que todos vão morrer”, diz.

Ferroviário aposentado, ele conta que decidiu fundar a Sociedade Beneficente Cristã porque foi um menino pobre, que passou fome. “Fundei a entidade quando tinha 25 anos. Era um projeto meu porque passei fome quando era criança e cresci com o objetivo de ajudar as crianças pobres. Com 20 anos tornei-me espírita, o que reforçou ainda mais a minha proposta porque o espiritismo incentiva seus adeptos a ajudar os outros”, ressalta.

Paiva, frisa, porém, que fundar uma entidade, que aos poucos foi crescendo até tornar-se a maior de Bauru, exige dedicação. “Optei por ficar solteiro para poder tocar a entidade. Se eu tivesse mulher, filhos e todas as preocupações normais de uma família, seria muito mais difícil”, acredita.

Apesar de viver num quarto simples na própria entidade, ele faz questão de ter em seus aposentos TV para manter-se informado. “Leio jornais todos os dias, assisto TV e ouço rádio, mas só os programas de noticiário”, conta. Em seguida, confira trechos da entrevista.

JC - O senhor diz que a pobreza não acaba. O senhor não vê solução? Sebastião Paiva - A pobreza é conseqüência do egoísmo do ser humano, que só pensa nele.

JC - O senhor acha que as pessoas estão mais egoístas atualmente? Paiva - Antigamente, os costumes eram diferentes. Não tinha o progresso e o desemprego de hoje em dia, não tinha rádio, TV, Internet... A vida era simples. Hoje, o mundo está muito materializado. As pessoas só pensam em dinheiro, e não em repartir.

JC - Qual a expectativa do senhor com relação ao novo presidente da República, com o programa de combate à fome? Paiva - Para distribuir renda, o Lula precisa de elemento humano, mas elemento humano honesto, o que é raro. Precisaria de muitas pessoas como ele. Mesmo assim é difícil.

JC - O senhor acredita que o Brasil poderá melhorar para os pobres? Paiva - Depende do povo e dos grandes, da indústria, do comércio, de todos nós. Veja a aposentadoria, por exemplo. Tem gente que ganha R$ 20 mil por mês e outros ganham salário mínimo.....

JC - O senhor defende um limite no valor da aposentadoria? Paiva - A Previdência está falida. A dívida é muito grande e ele (Lula) precisa modificar o sistema rapidamente. Tem gente que, se deixar, quer R$ 40 mil de apontadoria sem pensar no outro que ganha salário mínimo.

JC - Aos 93 anos, o que o senhor ainda quer realizar? Paiva - Gostaria de ajudar todas as pessoas que batem à minha porta. Estou lúcido e coordeno a entidade, mas estou esperando meu substituto.....