10 de julho de 2026
Bairros

Associação das instituições culpa poder público por crise generalizada no setor

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A situação financeira de todas as 70 entidades de Bauru é difícil, mas a da Sociedade Beneficente Cristã é mais ainda por tratar-se da maior instituição da cidade, explica Uriel de Almeida, que é vice-presidente da Associação de Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru e membro do Conselho Municipal de Assistência Social.

Para ele, o empobrecimento das entidades é resultado da política social dos governos. “A cada ano os três poderes público - federal, estadual e municipal - têm se afastado de suas obrigações, têm deixado as entidades na mão. Nós estamos falando nisso há anos”, critica. “Se o governo não fizer investimento de base em políticas públicas e a economia não crescer, a situação vai piorar”, diz ele frisando que não quer ser pessimista. â€œÉ uma realidade”, afirma.

Almeida não vê possibilidade de entidades como a SBC tornarem-se auto-suficientes. “Bauru tem 70 entidades e todas recorrem a promoções para enfrentar a dificuldade financeira. São várias promoções ao mesmo tempo e a população não tem condições de contribuir com todas”, diz.

Para Almeida, somente uma política que realmente priorize o social poderá reverter a crise que abate-se sobre as entidades. “Neste ano vocês vão ver a crise. Quem não reduzir o atendimento, vai quebrar. O seu Paiva, mesmo vendendo imóveis, não vai conseguir manter o número de atendidos”, agrava.

Ele lembra que Bauru tem um déficit de vagas em creches e prevê que a situação vai piorar. “As creches vão ter que reduzir o número de vagas, já estão fazendo isso. Nós temos uma fila de 3.500 crianças de zero a seis anos precisando de creche e não tem”, afirma.

O custo de vida aumentou muito mais que o reajuste das verbas governamentais recebidas pelas entidades, segundo Almeida. “As verbas eram suficientes, em média, só para 25% da despesa das entidades. O IGP-M de 2002 foi muito maior que o reajuste que o prefeito Nilson Costa concedeu às verbas públicas, que foi de 10%. Nós estávamos criticando o prefeito por esse reajuste, mas os governos estadual e federal não reajustaram nada”, afirma.

A situação da Sociedade Beneficente Cristã, de acordo com Almeida, é especial por ser a maior entidade de Bauru. “O custo de uma entidade do tamanho da Sociedade Beneficente Cristã é elevado. E é deste tamanho porque tem demanda. Era a única entidade de Bauru para abrigar crianças, o único asilo. Então tornou-se gicantesca e agora está enfrentando dificuldades”, diz.