09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Comércio externo cresce 33% na Eadi

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo com as constantes oscilações do dólar, as exportações regionais cresceram em 2002, em volume de dinheiro, mais de 33% quando comparadas com igual período de 2001. A constatação é da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Bauru, que divulgou ontem seu balanço anual do movimento do comércio exterior.

Somente no ano passado, a Eadi contabilizou mais de US$ 18 milhões com as exportações, valor 33,6% maior que o acumulado durante 2001, quando foram gerados cerca de US$ 14 milhões. Já o volume de importações fechou 2002 praticamente empatado com o total do ano anterior. Em ambos os períodos, US$ 48 milhões foram movimentados na estação.

Tal desempenho contribuiu ainda para a Eadi crescer aproximadamente 6% no total de recursos acumulados com as exportações e importações. Enquanto em 2001 a soma atingiu os US$ 62,5 milhões, em 2002 a cifra saltou para US$ 66,3 milhões.

Além de enfatizar os resultados positivos obtidos pela estação, o diretor comercial Antonio Grilo Neto ressalta que as importações registradas ano passado também forneceram motivos para se comemorar. “Apesar de termos empatado no volume, foi um ano precioso para a Eadi, uma vez que a média nacional do setor caiu quase 15% (leia texto nesta página)”, justifica.

Para o presidente da Eadi, Wilson Batista Souto, os números demonstram que a estação, que completou recentemente três anos de atuação em Bauru e região, comporta-se como uma criança em fase de desenvolvimento. “Ainda somos novos e, por isso, há uma tendência natural de crescimento no mercado”, acredita ele.

Souto atribui os bons índices conquistados pela Eadi a uma série de razões, mas a principal delas, conforme ele, é a maior gama de serviços oferecidos. “Antes fazíamos apenas o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Hoje já disponibilizamos a logística completa, desde a retirada da indústria até a vinda para a estação”, explica o presidente. “Isso acaba atraindo mais clientes”, complementa.

Prova disso é que a Estação Aduaneira do Interior de Bauru, cuja área de abrangência atinge mais de 150 municípios, também evoluiu na quantidade de parceiros comerciais. Enquanto em 2001 a Eadi operou com 150 clientes cadastrados, em 2002 passou a trabalhar com 197, um crescimento de aproximadamente 31%.

O diretor comercial Antonio Grilo Neto aponta, ainda, outros motivos para os êxitos no comércio exterior da Eadi no ano passado.

A busca por novos mercados é um deles. “Além de atuarmos fortemente em nossa base territorial, como Presidente Prudente, Marília e Araçatuba, estamos expandindo para o Mato Grosso do Sul, principalmente porque a Eadi/Bauru é a última unidade alfandegada do Centro-Oeste paulista”, afirma.

Grilo Neto destaca que, além do Estado da região Centro-Oeste do Brasil, a Bolívia é um alvo em potencial e em franco desenvolvimento para a Eadi. â€œÉ um país totalmente importador de manufaturados nacionais. Apesar da comercialização ainda não ser grande, tende a crescer, pois a demanda existe”, sustenta ele.

Perspectivas

Diante de tantos números positivos, sobra otimismo para o presidente da Eadi quando este fala sobre as ambiciosas perspectivas e metas traçadas para a unidade aduaneira em 2003. Segundo Souto, o objetivo é aumentar em 300% o movimento de serviços relativos às exportações e em 50% para as importações.

Ele pondera que, além da credibilidade já alcançada pela Eadi no mercado e à maior gama de serviços oferecidos pela mesma, os atuais rumos da economia e do próprio governo Lula contribuirão para o cumprimento de suas pretensões. “Pretendemos, pelo menos, que as importações voltem ao normal e as exportações aumentem”, frisa Souto.

Para o presidente, 2003 tem tudo para se transformar no “ano-topo” para a Eadi em relação ao movimento comercial externo. “Já era para termos atingido esse estágio a partir de julho de 2001, mas uma sucessão de crises, como o dólar, o apagão, a Argentina e os atentados nos Estados Unidos, dificultaram esse nosso objetivo”, argumenta ele.

Seguindo a mesma linha de raciocínio e com igual confiança, o diretor comercial Grilo Neto sustenta que a Eadi opera em sintonia com a economia do País. “A estabilidade da moeda é importante principalmente nas importações e este ano tudo está se conduzindo para que isso ocorra e o Brasil volte à normalidade”, conclui.

Encomex em Bauru

Através de um esforço conjunto que envolveu a Eadi, a Prefeitura Municipal, Fiesp/Ciesp, Associação Comercial e Industrial, Banco do Brasil, Sebrae e Correios, Bauru deverá sediar, provavelmente em março deste ano, o primeiro Encontro de Comércio Exterior (Encomex).

Segundo o diretor comercial da estação aduaneira, Antonio Grilo Neto, o evento já está confirmado extra-oficialmente. “Todas aquelas instituições solicitaram sua realização junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que o coordena, e as chances são de 100%”, assegura.

Segundo Grilo Neto, o Encomex visa criar um estímulo para que novos empresários ingressem no setor de exportação. “A Secex disponibilizará toda sua estrutura e conhecimento sobre o assunto tanto para os que já importam quanto para os que desejam entrar no segmento”, explica ele.