09 de julho de 2026
Bairros

Comude faz críticas a corte de verba

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Mais de 150 deficientes mentais podem continuar sem atendimento em Bauru devido ao corte no orçamento da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. O alerta vem do coordenador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Bauru (Comude), Francisco Takao Kajino.

Ele critica a decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de reduzir o orçamento do programa de Atendimento à Pessoa Portadora de Deficiência em quase 40%. A medida, de acordo com Kajino, impedirá que novas vagas sejam criadas nas entidades que assistem a esse tipo de deficiência.

“A gente estava contando com o aumento de repasse de verbas para as entidades de Bauru. Agora não vamos nem abrir novas vagas”, revela Kajino. Ele acrescenta que as instituições de Bauru não têm recursos para ampliar o atendimento para os 150 portadores de deficiência mental, com idade acima de 20 anos.

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru já atende a 300 deficientes mentais. A situação das entidades de Bauru mostra-se cada vez mais precária. A Sociedade Beneficente Cristã foi obrigada a vender vários imóveis para manter o atendimento a crianças, idosos e portadores de deficiência.

Ao cumprir agenda de trabalho em Bauru ontem, o presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência (CEAPPD), José Oliveira Justino, explicou que a entidade foi pega de surpresa pelo corte no orçamento. Ele diz que falta informações na Secretaria devido ao período de transição.

A nova secretaria da pasta, Maria Helena Guimarães de Castro, assumiu o cargo no último dia 2 e ainda não se pronunciou sobre a redução de recursos. A assessoria do órgão estadual distribuiu uma nota afirmando que não se trata de corte de verbas, mas apenas remanejamento para outras áreas de interesse do governo estadual.

O conselho estadual busca informações junto à Secretaria para saber quais os programas cortados e como será feito o atendimento aos portadores de deficiência.

Reivindicações de Bauru

O Comude está mobilizado para reivindicar o transporte coletivo adaptado para os deficientes em Bauru. Em recente reunião entre o Ministério Público, prefeitura e empresas de transporte coletivo, foi definida, de acordo com Kajino, uma pauta para a solução da questão.

O conselho propõe uma primeira etapa com 15% da frota adaptada para o transporte dos deficientes. Kajino informa que trafegam 280 carros na cidade e seria necessários 38 ônibus para a demanda dos deficientes físicos.

Ele explica que as empresas entendem que o número é inviável. “Nos próximos cinco anos queremos chegar a 45% da frota adaptada. As empresas acham que o custo é alto.” Uma outra briga do Comude é o atendimento por agendamento personalizado em casa para pessoas que não tenham condição de locomoção.

O transporte seria feito em veículos menores - vans - de acordo com a legislação municipal. Kajino disse que falta regulamentação na lei que defina quem vai ter o direito a esse transporte especializado.

O transporte escolar já está em parte resolvido com três ônibus preparados para o atendimento no início das aulas - até o final deste mês. Serão atendidos aproximadamente 50 cadeirantes e portadores de outras dificuldades de acesso.

São Paulo tem carência de conselhos

O presidente do Conselho Estadual Para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência (CEAPPD), José Oliveira Justino, disse que é necessário a formação de mais conselhos municipais para ampliar a representatividade dos portadores de deficiência física junto à sociedade.

Ele informa que do total de 645 municípios paulistas, apenas foram criados 30 entidades. Justino vê como estímulo para a criação de novos conselhos o envolvimetno dos deficientes. “Ele (deficiente) precisa sentir a comunidade e a comunidade precisa sentir o deficiente para que haja aquela troca positiva para que se possa caminhar para uma verdadeira inclusão”, diz.

O presidente do conselho estadual ressalta que hoje o deficiente tem grande amparo legal. Entretanto, diz que de nada adianta ter à disposição o arsenal legislativo feito a partir de 1989 se o deficiente não exercitar o seu direito.

“Só vamos receber os benefícios da legislação quando nós estivermos trabalhando, unidos, formando associações, formando movimentos, participando dos conselhos municipais, participando do conselho estadual”, ressalta.