09 de julho de 2026
Bairros

Cohab pretende notificar mutuários

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) deu início, na semana passada, a um levantamento que pretende determinar quantas casas de núcleos habitacionais estão abandonadas. Até agora, depois de visitados apenas dois núcleos - Mary Dota e Edson Francisco da Silva -, foram constatadas 22 casas que estão com prestações atrasadas e sem moradores.

De acordo com Constante Mogioni, diretor-presidente da autarquia, não há como fazer uma estimativa de quantos imóveis desabitados existem nos núcleos habitacionais da cidade. “Esse cálculo é muito subjetivo pois há casas com prestações em dia, mas que estão em estado de abandono”, destaca.

Os conjuntos de casas recentes são os que mais apresentam esse tipo de problema. No Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), por exemplo, há cerca de 90 casas abandonadas, segundo informações da associação de moradores do bairro. â€œÉ uma média de cinco casas por rua”, diz José Carlos Severo, 2.º secretário da entidade.

Andando pelas ruas do núcleo, é possível perceber que o número de imóveis em estado de abandono é muito grande. Mato alto, sujeira, pichação, furtos, esses são os principais problemas nessas residências que, há princípio, deveriam servir para sanar o déficit habitacional do município, que está em torno de 8.500 casas.

O número foi fornecido pela Cohab, baseando-se no total de inscrições de pessoas que estão à espera da liberação de um imóvel para comprar. “Tem muita gente que se inscreve, mas mora com os pais, tem um outro tipo de habitação. Então, acredito que o déficit mesmo seja de umas 5 mil casas”, constata Mogioni.

A Caixa Econômica Federal (CEF), principal agente financeiro da habitação, possui 223 contratos de financiamento com problemas na cidade. São casas que estão sendo retomadas pela instituição financeira devido à falta de pagamento dos mutuários. De acordo com o superintendente do Escritório de Negócios da CEF em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, não há como determinar quantas desse total são casas de núcleo habitacional. “O que sabemos é que são poucos imóveis centralizados numa mesma área. A maioria está bem pulverizada”, explica.

Ele diz que a CEF tem 9.871 imóveis financiados na cidade e que o total de casas desabitadas não é muito grande. Mesmo assim, as poucas que estão nesse estado causam uma série de problemas para a população.

Para saber com exatidão o total de casas vazias na cidade só mesmo fazendo uma checagem “in loco”. Isso porque muitas residências estão com as prestações em dia, no entanto, não há ninguém ocupando-a.

Um outro problema gerado por essas casas sem habitantes é o investimento desperdiçado na sua construção. Uma casa de núcleo habitacional, por exemplo, custa cerca de R$ 18 mil. O recurso utilizado para a obra provém do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, quando ocorre algum tipo de prejuízo, quem acaba arcando com isso é a Caixa, segundo Oliveira. “O dinheiro do FGTS é reposto. Mas a Caixa é quem tem de pagar”, afirma.

Em outras palavras, o pagamento acaba saindo do bolso de toda a população, já que a CEF é um banco público.