09 de julho de 2026
Geral

Rodrigues Alves: 84 anos de história

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Caminhar pela avenida Rodrigues Alves é passear pela história de Bauru. A avenida, que completou ontem 84 anos, carrega tantos momentos de tempos de glória como de problemas.

O historiador Luciano Dias Pires explica que a via surgiu em 1905, quando o primeiro trem da Estrada de Ferro Sorocabana chegou a Bauru.

Ela recebeu o nome de Alfredo Maia, em homenagem ao superintendente da ferrovia.

Mas foi em 18 de janeiro de 1919 que a avenida foi rebatizada com o nome do então presidente da República - conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves.

A proposta inicial de vereadores era trocar o nome da rua Batista de Carvalho. “Com o falecimento do presidente, a Comissão de Justiça do nosso legislativo se manifestou favoravelmente à troca de Alfredo Maia por Rodrigues Alves”, expõe.

“Mas o Alfredo Maia não ficou sem homenagem porque puseram o nome dele em uma avenida da Vila Falcão”, acrescenta o historiador.

A ferrovia levou às primeiras quadras da avenida pequenos hotéis, pensões e bares. Nos anos 20, a via ainda tinha como piso um areião e não havia canteiro central. O perfil da Rodrigues Alves era predominantemente residencial.

No final da década de 20, a avenida ganhou paralelepípedos. Alguns anos depois, já eram duas pistas separadas por um canteiro com árvores e bancos de granito. “Os namorados passeavam por lá à noite”, diz Pires.

Glamour

A avenida era palco dos grandes acontecimentos da cidade, como os desfiles cívicos e de carnaval em carros abertos. “Ela passou a ser uma via pública de grande importância para Bauru e foi durante muitos anos uma grande passarela de Bauru”, enfatiza o historiador.

Mais tarde, as árvores do canteiro central foram derrubadas devido à proliferação de insetos que atacavam os olhos das pessoas. “Os insetos foram apelidados de lacerdinha”, conta Pires.

Posteriormente, o canteiro central foi eliminado e apenas uma faixa separava as duas pistas. Hoje, a avenida tem um estreito canteiro central e deve ganhar novas árvores em breve.

Até a metade do século passado, a Rodrigues Alves morria na rua Antônio Alves, onde havia um templo religioso que interrompia o crescimento da via.

O edifício então foi demolido e hoje a avenida tem cerca de oito quilômetros de extensão, distribuídos em mais de 70 quadras, chegando à rodovia SP-225 (Comandante João Ribeiro de Barros). â€œÉ uma das portas de entrada da cidade”, destaca a secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano.

Serviço

Outras informações e fotos sobre a história de Bauru podem ser encontradas no Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, que fica na rua Capitão Gomes Duarte, 13-41. O telefone é (14) 234-2508.

Revitalização

A avenida Rodrigues Alves está inserida no projeto de revitalização da área central, encabeçado pela Prefeitura de Bauru.

De acordo com a titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, a providência mais imediata é trocar as fachadas dos estabelecimentos comerciais, retirando as estruturas metálicas que encobrem parte da estrutura dos prédios e geram poluição visual.

A medida deve valorizar a arquitetura dos edifícios. “Queremos mudar a visão do centro comercial e requalificar o ambiente. A preocupação é estética, mas também de segurança para os pedestres, já que as fachadas atuais recebem pouca manutenção”, explica Maria Helena.

Durante este ano e 2004, a os comerciantes que apresentarem o projeto de recuperação das fachadas à Seplan e executarem as alterações poderão ter abatimento de até 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2003 e 2004.

A partir de 2005, todas as lojas deverão estar padronizadas, sob pena de multa de até R$ 1.000,00.

Além da recuperação das calçadas e do asfalto da avenida, a prefeitura pretende raspar o canteiro central para retirar a pintura antiga e recuperar as placas de concreto.

A arborização é outra preocupação da administração municipal. Os resedás não suportaram a poluição do centro e serão gradativamente substituídos por murtas, que são mais resistentes, têm pequeno porte, frutos pequenos e não geram problemas de queda de folhas.

“A Rodrigues Alves é a cara da cidade. É uma das imagens que a pessoa de fora leva e a sua recuperação é muito importante”, reforça a secretária de Planejamento.