09 de julho de 2026
Regional

Embraer concentrará riqueza na região

Cristiane Gercina (*)
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - Em 2011, a região do Interior do Estado que envolve 35 cidades, entre elas Araraquara, Bauru, São Carlos, Ribeirão Preto, Matão, São José do Rio Preto e Franca, deverá ser responsável por 18% de toda riqueza produzida no Estado de São Paulo. O motivo seria a instalação do pólo industrial da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) em Gavião Peixoto.

Os outros 81% da produção ficarão por conta dos 570 municípios paulistas restantes. Atualmente, a região destas 35 cidades, produz 7,4% da riqueza do Estado, conforme explica o economista e diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Antônio Vicente Golfeto.

Golfeto explica, em seus estudos, que a economia paulista funciona na forma de um pêndulo, ou seja, ora concentra-se na região de São Paulo, Grande São Paulo e Litoral Paulista, ora migra para o Interior, passando pelo Vale do Paraíba. Segundo ele, até 1920, com a produção de cana-de-açúcar e café, a região era responsável pelos 18% da riqueza do Estado.

Exportações

Ele diz que o pólo da Embraer será o responsável por essa ascensão, pois permitirá facilidade na escoação da produção, através das exportações. No século XIX, essa escoação ficou por conta das estradas de ferro. “O avião será para o século XXI o que o automóvel foi para o século XX”. Por isso, adverte que a região que chamou de quadrilátero paulista, compreendendo os municípios de Matão, Araraquara, São Carlos e Gavião Peixoto, deve se preparar para um grande desenvolvimento no setor de serviços. “As cidades se destacam em virtude dos bons serviços que oferecem”.

Segundo o economista, a proximidade física gera uma proximidade econômica. No caso de Matão, por exemplo, que se localizada a 18 quilômetros de Gavião Peixoto e a 12 do pólo da Embraer, é necessário ter visão empreendera e inovar nas áreas de serviço. “Vejamos o exemplo de Ribeirão Preto. Em 2001, de cada 100 carros no estacionamento de um dos shoppings da cidade, cerca de 25 tinham placas de fora”.

Golfeto revela que as regiões da Baixada Santista e da Capital são as que menos crescem atualmente e menos atraem investimentos e investidores. “Não investiria nestas regiões, com exceção da cidade de Guarulhos, que tem um aeroporto internacional. O Interior será para o início deste século, o que a região do ABC paulista foi nos anos de 1980”.

Desenvolvimento

De acordo com ele, a melhor forma de se desenvolver é aprender a adaptar-se. “O importante para o mercado não é ser forte, é ser flexível”. O economista também afirma que está na hora dos produtores brasileiros criarem grandes marcas para poder disputar os mercados internacionais.

Além disso, ele aponta o investimento em profissionais qualificados na área de propaganda, publicidade e marketing, como responsáveis pelo desenvolvimento esperado para os anos de 2010. “A melhor localização de uma empresa é na mente do consumidor. O Brasil ainda não conseguiu produzir grandes marcas, mas está começando e tem futuro”.

Quando questionado sobre os problemas ocasionados com o desenvolvimento do setor de serviços como, por exemplo, o desemprego, o crescimento do mercado informal e de troca, e a falsificação de produtos, o economista afirma que a melhor forma de evitar estes possíveis problemas é oferecer produtos de qualidade ao consumidor.

Com posições neoliberais, Golfeto condena a imposição de barreiras econômicas e diz que a melhor política social que existe é uma economia sólida com geração de empregos bem remunerados. “Se proteger com eficiência é o caminha. A melhor política industrial que existe uma empresa que produz com qualidade”.

Ele defenda a diminuição das cargas tributárias como forma de garantir um mercado sem barreiras, aponta a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) como trampolim para a participação na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e diz que não acredita nesta esquerda que chegou ao poder. “A esquerda no poder ainda vai chegar. Embora respeite, acho que este PT (Partido dos Trabalhadores) é direita”.

Além de ser responsável pelo Depecon, Golfeto também ministra aulas de economia na Universidade Paulista (Unip) e no Colégio Oswaldo Cruz (COC), de Ribeirão Preto. Esteve em Matão na última semana, em uma palestra promovida pela Associação Comercial e Industrial de Matão (Acim), onde estiveram presentes cerca de 400 pessoas.

(*)Especial para o JC