Araraquara - Em 2011, a região do Interior do Estado que envolve 35 cidades, entre elas Araraquara, Bauru, São Carlos, Ribeirão Preto, Matão, São José do Rio Preto e Franca, deverá ser responsável por 18% de toda riqueza produzida no Estado de São Paulo. O motivo seria a instalação do pólo industrial da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) em Gavião Peixoto.
Os outros 81% da produção ficarão por conta dos 570 municípios paulistas restantes. Atualmente, a região destas 35 cidades, produz 7,4% da riqueza do Estado, conforme explica o economista e diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Antônio Vicente Golfeto.
Golfeto explica, em seus estudos, que a economia paulista funciona na forma de um pêndulo, ou seja, ora concentra-se na região de São Paulo, Grande São Paulo e Litoral Paulista, ora migra para o Interior, passando pelo Vale do Paraíba. Segundo ele, até 1920, com a produção de cana-de-açúcar e café, a região era responsável pelos 18% da riqueza do Estado.
Exportações
Ele diz que o pólo da Embraer será o responsável por essa ascensão, pois permitirá facilidade na escoação da produção, através das exportações. No século XIX, essa escoação ficou por conta das estradas de ferro. “O avião será para o século XXI o que o automóvel foi para o século XXâ€. Por isso, adverte que a região que chamou de quadrilátero paulista, compreendendo os municípios de Matão, Araraquara, São Carlos e Gavião Peixoto, deve se preparar para um grande desenvolvimento no setor de serviços. “As cidades se destacam em virtude dos bons serviços que oferecemâ€.
Segundo o economista, a proximidade física gera uma proximidade econômica. No caso de Matão, por exemplo, que se localizada a 18 quilômetros de Gavião Peixoto e a 12 do pólo da Embraer, é necessário ter visão empreendera e inovar nas áreas de serviço. “Vejamos o exemplo de Ribeirão Preto. Em 2001, de cada 100 carros no estacionamento de um dos shoppings da cidade, cerca de 25 tinham placas de foraâ€.
Golfeto revela que as regiões da Baixada Santista e da Capital são as que menos crescem atualmente e menos atraem investimentos e investidores. “Não investiria nestas regiões, com exceção da cidade de Guarulhos, que tem um aeroporto internacional. O Interior será para o início deste século, o que a região do ABC paulista foi nos anos de 1980â€.
Desenvolvimento
De acordo com ele, a melhor forma de se desenvolver é aprender a adaptar-se. “O importante para o mercado não é ser forte, é ser flexívelâ€. O economista também afirma que está na hora dos produtores brasileiros criarem grandes marcas para poder disputar os mercados internacionais.
Além disso, ele aponta o investimento em profissionais qualificados na área de propaganda, publicidade e marketing, como responsáveis pelo desenvolvimento esperado para os anos de 2010. “A melhor localização de uma empresa é na mente do consumidor. O Brasil ainda não conseguiu produzir grandes marcas, mas está começando e tem futuroâ€.
Quando questionado sobre os problemas ocasionados com o desenvolvimento do setor de serviços como, por exemplo, o desemprego, o crescimento do mercado informal e de troca, e a falsificação de produtos, o economista afirma que a melhor forma de evitar estes possíveis problemas é oferecer produtos de qualidade ao consumidor.
Com posições neoliberais, Golfeto condena a imposição de barreiras econômicas e diz que a melhor política social que existe é uma economia sólida com geração de empregos bem remunerados. “Se proteger com eficiência é o caminha. A melhor política industrial que existe uma empresa que produz com qualidadeâ€.
Ele defenda a diminuição das cargas tributárias como forma de garantir um mercado sem barreiras, aponta a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) como trampolim para a participação na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e diz que não acredita nesta esquerda que chegou ao poder. “A esquerda no poder ainda vai chegar. Embora respeite, acho que este PT (Partido dos Trabalhadores) é direitaâ€.
Além de ser responsável pelo Depecon, Golfeto também ministra aulas de economia na Universidade Paulista (Unip) e no Colégio Oswaldo Cruz (COC), de Ribeirão Preto. Esteve em Matão na última semana, em uma palestra promovida pela Associação Comercial e Industrial de Matão (Acim), onde estiveram presentes cerca de 400 pessoas.
(*)Especial para o JC