08 de julho de 2026
Regional

"Cansei de ser vereador", diz Gereba

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí - O ex-vereador de Pirajuí, Roberto Carlos dos Santos (PRP), mais conhecido como Gereba, disse ao Jornal da Cidade que renunciou ao mandato, na última terça-feira, porque estava sendo muito “cobrado” pela população da cidade. Ele disse que estava cansado de pagar a conta de eleitores que o procuravam alegando ter votado nele e cobravam por isso.

Segundo o ex-vereador, a impressão que ele tinha era a de que o fato dele ter sido eleito o tornava, automaticamente, em um saneador de contas particulares, como água, luz, telefone, de seus supostos eleitores.

Fosse na rua ou na porta de sua casa, lá estavam os eleitores cobrando do vereador a contrapartida pela confiança (leia-se voto) depositada nele, em 2000.

Gereba disse também que estava descontente com sua atuação na Câmara Municipal. Mesmo tendo apresentado diversos projetos, em seus dois anos como vereador, em nenhum momento conseguiu aprová-los. Nem mesmo os requerimentos e indicações que apresentou teriam sido atendidos pelo prefeito Luiz Carlos Serrato (sem partido).

Tudo isso somado teria sido o estopim, segundo o vereador, para sua renúncia, lida na última sessão da Câmara, na terça-feira passada.

Na opinião de Gereba, os demais vereadores da cidade (13 ao todo) também deveriam fazer o mesmo. Ou seja, renunciar aos seus mandatos. Ele justifica a sugestão, argumentando que a Câmara não estaria colaborando com o progresso da cidade. Por esse motivo, deveriam entregar seus cargos.

Apesar de suas colocações contundentes, o ex-vereador alegou em sua carta-renúncia, entregue ao presidente da Câmara, Samuel Martins de Oliveira (PSD), que estava se desligando do cargo “por razões de ordem pessoal”.

A decisão causou surpresa aos moradores da cidade. Segundo relato de Gereba, na rua as pessoas passaram a questioná-lo sobre o pedido de renúncia. Apesar do espanto, ele garante que os moradores entenderam sua atitude.

Segundo ele, nem mesmo a família sabia de suas intenções.

A decisão pode ter sido uma surpresa, mas a vontade de largar tudo e voltar a ser uma “pessoa comum” não era nenhuma novidade.

Tanto na Câmara, entre os vereadores, como dentro de casa, a disposição em renunciar já era de conhecimento público.

De acordo com o presidente do Legislativo, boatos sobre essa possibilidade chegaram a circular pelos corredores da Câmara, mas o então vereador nunca havia falado com ele sobre esse assunto.

Em conversa com a reportagem, as irmãs de Gereba, Neide e Maria José, confirmaram que a vontade de deixar a Câmara já vinha de algum tempo.

A pressão dos moradores, sempre pedindo favores, e os problemas de saúde, segundo elas, eram dois fatores que o incomodavam bastante.

Depois de se desiludir com a função de vereador, mas principalmente com as “cobranças” da população, inerentes ao cargo público, Gereba garante que a experiência foi única e não haverá uma segunda tentativa.

Nem mesmo o salário de R$ 1,7 mil, um dos maiores, senão o maior da região, para cidades do porte de Pirajuí, foi suficiente para convencê-lo a permanecer no cargo.

Especula-se nos bastidores políticos da cidade de que o ex-parlamentar seria um dos beneficiados com um dos dez cargos em comissão criados pela prefeitura e aprovados pela Câmara na mesma sessão em que Gereba apresentou a renúncia.

Com salários de aproximadamente R$ 1,5 mil, todos os cargos criados são de chefia. Apenas dois são para coordenadores.

Um desses cargos estava reservado para o então suplente José Cirineu Daniel (PRP). Como ele foi convocado para assumir a vaga deixada por Gereba, Cirineu disse que foi obrigado a abrir mão da sua nomeação para um desses cargos.

No momento em que Gereba apresentou a renúncia, Cirineu estava na Câmara à espera do resultado da votação dos cargos em comissão.

Imediatamente, ele foi convocado e empossado pelo presidente da Câmara. E em sua primeira participação como vereador não hesitou em votar a favor dos cargos criados pelo prefeito.

Alheio às especulações sobre seu futuro, Gereba informou que irá dar continuidade ao seu trabalho como vendedor. Longe das “cobranças” da população.