08 de julho de 2026
Articulistas

Aldeia global


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Recentemente, juntei-me a milhares de pessoas em uma manifestação de protesto contra o provável ataque ao Iraque por parte do governo de George W. Bush. Apesar da gravidade do problema do qual nos ocupávamos, a multidão caminhava festivamente. Dois terços dos participantes tinham menos de 30 anos, o que dava energias frescas a um movimento que foi jovem somente até os anos 60. Porém, o estado de ânimo mudou acentuadamente logo que chegamos à praça onde a multidão se reunia. O tom e o conteúdo dos discursos foram estrepitosamente ideológicos.

Nenhum de nós estaria ali se não estivesse irado e alarmado pelos recentes acontecimentos e pelas políticas de nosso governo. Porém, deixar-se levar pelo medo e pela raiva, mais do que pela esperança, é como ficar doente do próprio mal que buscamos combater. As manifestações quase sempre são definidas como “anti”: antiguerra, antiglobalização, anticorporações ou antiautoritárias. Freqüentemente elas são impulsionadas por um justificável rechaço às atuais políticas. Mas, exceto em termos muito gerais, tais manifestações fracassam quando se trata de articular as muitas alternativas práticas inventadas para substituir aquelas políticas.

Milhares de nós gastamos as últimas décadas idealizando as melhores maneiras de enfrentar os principais desafios sociais. Desde alternativas em matéria de fontes renováveis de energia à solução de conflitos, e de investimentos socialmente responsáveis para a edificação “verde” e a agricultura sustentável, foi desenvolvida e executada uma ampla série de estratégias, técnicas e tecnologias práticas. Para comunicar estas boas notícias a outros e ao mundo, em geral necessitamos de um novo tipo de manifestações, um acontecimento que acabe demonstrando qual é o tipo de mundo que pretendemos criar. Se realmente queremos mudar a mentalidade das pessoas no poder, é menos efetivo condenar a posição nas quais elas se encontram do que mover-se para uma posição melhor e convidá-las a chegar até ela.

Durante milênios as guerras foram feitas para decidir qual tipo de oração deveria ser feita e em nome de quem. O que todos os que rezam têm em comum, no entanto, é a experiência da comunhão silenciosa com sua própria versão do que está mais além.

É um mundo onde o isolamento e a alienação são responsáveis por tanto sofrimento e crueldade, o testemunho físico de escutar, dançar e cantar pode ser uma potente afirmação da nossa condição de pertencermos um ao outro. Pode parecer um caminho longo o que deve ser percorrido pela marcha de protesto contra a aldeia global. Mas quase todos os elementos básicos já estão sendo colocados em prática por amplos grupos, sob uma ou outra bandeira. É, em grande parte, questão de colocar todos esses grupos juntos. (O autor, Mark Sommer, é jornalista norte-americano)