08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

MARIA MADALENA E JORGE LAFFOND


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Jesus Cristo se solidarizava com os humildes, os puros, os excluídos e as vítimas da sociedade. Jamais discriminou ninguém e desmascarou algumas dezenas de hipócritas e fariseus que queriam apedrejar uma prostituta chamada Maria Madalena. Com um gesto simbólico ordenou para os pseudo-julgadores que quem ali não tivesse nenhum pecado teria o direito de atirar a primeira pedra. Todos foram embora raivosos e envergonhados e a prostituta foi amparada e protegida pelo mestre.

O homem de Nazaré era excessivamente bom, no entanto, nunca deixou de ser crítico e racional. Quando percebeu que alguns comerciantes faziam do Templo de Jerusalém um lugar puramente de comércio e exploração, não titubeou em derrubar as bancas e açoitar alguns vendilhões.

A Bíblia diz que nem todos que usam o nome de Deus entrarão no reino dos céus. Também cita que o verdadeiro cristão não pode ser falso, invejoso, hipócrita, preconceituoso e mesquinho. E nem deve carregar consigo ódio ou rancor.

Ora, as igrejas são construídas pelos homens e coordenadas por eles. Nelas uns seguem verdadeiramente o Senhor, outros apenas usam o nome do Senhor para se beneficiar individualmente. Estes repetem os gestos dos vendilhões do Templo. Na igreja também enquanto outros se dedicam à causa dos pobres, há aqueles acostumados a banquetear na mesa farta das elites, tornando-se assim instrumento de uso e muleta psicológica da opressão.

Jorge Laffond, ator e comediante negro homossexual, foi obrigado a abandonar o palco em gravação de programa no SBT, a pedido do padre pop-star Marcelo Rossi. Ou seja, o padre, ao invés de imitar Cristo que sempre foi acolhedor, preferiu se inspirar e materializar naquele momento, no palco, os atiradores de pedra na Maria Madalena. A mesma cegueira de Herodes tapou os olhos do padre ao analisar um ser humano pelo seu comportamento individual e não pelo profissionalismo. Tal episódio também lembra a traição de Judas e a fraqueza do apóstolo Pedro.

Jorge Laffond faleceu. Sendo negro e gay aprendeu a tirar de letra o racismo e a homofobia em toda a sua rica trajetória. Mas com certeza levou para o túmulo a mágoa de ter sido humilhado justamente por quem prega o amor, a caridade, o perdão e a justiça. Este triste episódio é a prova de que a maioria dos seres humanos não pratica o que pregam.

Jorge Laffond, ao contrário de alguns religiosos, nunca foi acusado de pedofilia ou algo parecido. E sendo gay sempre sempre mereceu o respeito de todos, independente de sua identidade sexual.

O padre Marcelo não é perfeito e tem o direito de errar. Mas quando erguer a mão e for pedir glória a Deus, deve se lembrar deste fato e também pedir perdão. Com certeza, o Mestre lhe dirá: “Vá e não peques mais...”

PS - Com toda esta bandalheira ocorrendo na Câmara Municipal, até agora não vi a posição firme das autoridades locais e muito menos o cordão dos apóstolos da cidadania, da moralidade, da ética e outras coisinhas a mais. Foram tão atuantes há quatro anos atrás. E agora? Estamos de olho! (Pedro Valentim - RG: 19.198.011-0)