08 de julho de 2026
Política

Interdição é reforçada para evitar mais danos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Montes de terra foram colocados ontem de manhã nas duas cabeceiras da ponte Ayrton Senna, no Núcleo Mary Dota, para evitar que os veículos continuassem trafegando pelo local. No dia anterior, a reportagem do Jornal da Cidade havia flagrado a travessia de carros sobre a ponte, apesar dos avisos e dos blocos de concretos colocados nas proximidades pela Secretaria de Obras.

Com os novos obstáculos, colocados ontem, a passagem só é possível a pé ou de moto. Os veículos maiores, para chegar até o bairro, precisam desviar o percurso em até seis quilômetros, em alguns casos.

Para o borracheiro Antônio Alves, o problema é ainda mais grave. Desde que a ponte foi interditada, sua clientela caiu drasticamente.

A borracharia fica a cerca de 100 metros da ponte. Com a interdição, a maior parte dos motoristas do bairro, mesmo antes dos montes de terra serem colocados, já estavam fazendo outro caminho. Com isso, o estabelecimento passou a ser pouco freqüentado. Após a interdição feita ontem, com terra, o local ficou deserto.

Antes de ser constatado o problema na ponte, Alves lembra que era possível ganhar, em média, R$ 500,00 por semana, com os serviços de borracharia. Na semana passada, com a ponte já interditada, ele disse ter recebido o suficiente para comprar apenas uma marmitex.

“Meu prejuízo está sendo grande e eu quero saber quem vai me indenizar por isso”, protestou o borracheiro.

Na opinião dele, a prefeitura está “brincando com o povo”. “Se o trabalho para recuperar a ponte tivesse começado desde o dia em que foi constatado o problema, ela já teria sido consertada. Precisamos de gente trabalhando, não de um monte de terra”, criticou ele.

Segundo Alves, o prefeito Nilson Costa (PPS) corre sério risco em sua pretensão de se candidatar a reeleição. â€œÉ bom o prefeito saber que o povo bauruense tem boa memória. Afundar a prefeitura em dívidas, como fez o (ex-prefeito) Izzo, e deixar obras inacabadas, como fez o (ex-prefeito) Tidei, são coisas que não se esquece”, declarou.

A ponte Ayrton Senna, que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, foi interditada no último dia 7 pela Secretaria Municipal de Obras devido a rachaduras que surgiram em um dos oito blocos de fundação da estrutura.

A obra custou mais de R$ 250 mil e foi entregue em setembro de 2000, às vésperas da eleição municipal que reelegeu Nilson Costa.

Enquanto os moradores do Mary Dota esperam uma solução para o problema, prefeitura e empreiteira se acusam mutuamente e postergam o início dos trabalhos de recuperação da ponte.

Em reportagem publicada na edição de ontem do JC, a administração municipal alega que a Tofer - Engenharia, Comércio e Indústria Ltda., responsável pela obra, não respeitou o projeto original.

A empresa, por sua vez, diz que alertou a Secretaria de Obras de que a proposta apresentada não era a mais adequada para o local.

Enquanto isso, cerca de 30 mil pessoas continuam sendo afetadas pela interdição da ponte.