09 de julho de 2026
Regional

Greve paralisa obras de penitenciária

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Reginópolis - Cerca de 320 funcionários que trabalham na construção de uma penitenciária no município de Reginópolis e que estavam em ritmo de greve desde a semana passada intensificaram o movimento ontem e prometem retornar ao serviço só quando o salário atrasado foi acertado. A construtora Lix da Cunha, empresa responsável pela obra, informa que as reivindicações já estão encaminhadas e em estudo.

Além dos salários de dezembro que estão atrasados, os trabalhadores cuja maioria é de outros estados, reclamam também de várias coisas, como o valor por eles considerado alto quanto ao desconto da alimentação, qualidade dos alimentos e horas extras que não estariam sendo pagas corretamente.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e Mobiliário de Bauru e Região esteve ontem em Reginópolis acompanhando o movimento. O Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho também já foram acionados para intervir na questão.

Para o presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, os trabalhadores esperaram o máximo que puderam para cruzar os braços e só devem retomar os serviços assim que todas as reivindicações forem aceitas.

No final da tarde, os sindicalistas deixaram Reginópolis com o compromisso, por parte da empresa de que metade dos salários estavam sendo depositados e que hoje estarão disponíveis. Essa afirmação também foi feita à reportagem pelo gerente administrativo da obra, Claudir Carreira.

Ainda segundo Claudir Carreira, o restante do pagamento deverá estar sendo feito até amanhã. Já as demais reivindicações estariam sendo estudadas. A Lix da Cunha é a responsável pela obra mas outras empresas também atuam no local através de terceirizações e algumas das reclamações dos trabalhadores estariam afetas a elas e não diretamente à Lix. Carreira disse que a previsão para término da obra que teve início em julho passado, é março próximo.

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Reflexo no comércio

O atraso no pagamento dos salários não prejudica apenas os trabalhadores. Ele afeta também o comércio da cidade uma vez que sem dinheiro, os estabelecimentos deixam de lucrar e em alguns casos de receber dívidas contraídas.

O comerciante Ovídio Lázari Júnior, que é também vereador pelo PMDB em Reginópolis, disse ontem que o atraso no pagamento tem reflexo imediato no comércio da cidade. “Maioria deles (trabalhadores) é de outras cidades e gasta parte do salário com a gente. Percebemos que são gente boa e responsáveis. Só gastam aqui o básico porque têm compromisso com as famílias que estão longe”.

Reginópolis tem cerca de 5 mil habitantes segundo o Censo de 2000 e os 320 trabalhadores que estão na cidade fazem muita diferença no comércio, diz Júnior.

A construção do presídio, segundo o vereador, sempre foi motivo de expectativas quanto à movimentação do comércio local, tanto na fase da construção que teve início em julho passado como com a chegada dos presos, prevista ainda para este ano.

Com a instalação da nova penitenciária, a estimativa é que a cidade terá uma média de três habitantes para cada preso. Diante disso, o impacto do presídio no cotidiano do município deverá ser significativo, especialmente no que se refere a geração de empregos.

A Secretaria de Administração Penitenciária estima que a nova unidade gere cerca de 600 empregos diretos na cidade e na região.

Sendo assim, a prefeita do município, Carolina Veríssimo (PMDB), prevê um “incremento” no comércio com a chegada dos presos, seus familiares e os agentes que deverão trabalhar nas unidades.

Para a prefeita, a instalação do presídio não deve ter conseqüências negativas. Ela afirma que, até o momento, não chegou ao seu conhecimento nenhum grupo de Reginópolis que se opõe à implantação da penitenciária. “Numa cidade pequena, a expectativa de quem não tem emprego é de que venha serviço para cá”, ressalta.