09 de julho de 2026
Articulistas

Entre falcões e pombas


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Johan Wolfgang Goethe disse uma vez: “As pessoas se comportam da maneira como são tratadas. Se você trata alguém como um cavalheiro, ele se comportará como um cavalheiro. Se você trata alguém como um meliante, ele se comportará como um meliante”. Em grande parte essa sentença se aplica também nas relações internacionais. A inclusão da Coréia do Norte no “Eixo do Mal”, junto com Iraque e Irã, feita por George W. Bush em seu discurso sobre o Estado da União, fez com que a Coréia do Norte se tornasse mais beligerante.

Como na Coréia do Sul e na maioria dos demais países, também há falcões e pombas no governo da Coréia do Norte. Os falcões norte-coreanos mandam submarinos atacar, mas as pombas pedem desculpas por essas ações. Os falcões se retiram do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e ameaçam com testes de mísseis, mas as pombas dizem que não querem desenvolver armas nucleares e buscam manter conversações com os EUA.

O equilíbrio falcões-pombas na Coréia do Norte pode ser inclinado pelo desequilíbrio falcões-pombas exercido pelos EUA, Coréia do Sul, Japão e China, bem como, em alguma medida, pela Rússia. Premiar o pacifismo das pombas da Coréia do Norte fortalecerá as pombas e, possivelmente, conduzirá a uma branda mudança de regime a partir de dentro; castigar a beligerância dos falcões norte-coreanos os fortalecerá e, possivelmente, levará a uma mudança violenta ou a um colapso.

A política “Sol Brilhante” do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-Jung, que procura chegar a um compromisso com a Coréia do Norte, inclinou a balança em favor das pombas norte-coreanas. Havia igualdade do ponto de vista político, o que é uma condição fundamental para a paz. Depois da cúpula de junho de 2000 em Pyongyang, entre Kim Dae-Jung e o líder norte-coreano Kim Jong II, existia um clima de confederação, com uma nação com dois Estados e com a Coréia do Norte em um caminho reformista. A recente e estreita vitória eleitoral do presidente Roh Moo-Hyun sobre seu rival de linha dura assegura, agora, que a Coréia do Sul continue com sua política “Sol Brilhante”.

Os Estados Unidos decidiram sufocar a política de distensão praticada pelo governo da Coréia do Sul ao levar a Coréia do Norte a admitir/confessar que não havia abandonado o programa de enriquecimento de urânio. Porém, Washington nunca admitiu/confessou que ainda não cumpriu os próprios compromissos assumidos no acordo de 1994 (que consistiam no oferecimento à Coréia do Norte de dois reatores civis de água leve para substituir o reator que Pyongyang havia concordado em fechar).

O que ajudou a pôr fim à Guerra Fria na Europa foi uma gradual e mútua abertura ao fluxo de idéias, bens e pessoas. (Johan Galtung é professor universitário de Estudos sobre a Paz. Dietrich Fischer é professor na Pace University e co-diretor da Transcend)