08 de julho de 2026
Geral

Emprego formal é o pior índice de Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Se a taxa de emprego em carteira assinada fosse maior, Bauru certamente ganharia algumas colocações no ranking do Índice de Exclusão Social (IES). A estudante Amanda Ballaminut, 16 anos, por exemplo, já entrou na informalidade por conta do desemprego.

Ela chegou a procurar emprego no ano passado, mas logo desistiu e resolveu vender lingerie aos familiares, amigos e vizinhos. “Eu sei que está difícil emprego então vou continuar vendendo lingerie. Ganho pouco, mas já é alguma coisa”, diz ela.

O designer gráfico Bruno César Gonçalves Luís, que está há três anos trabalhando na informalidade, agora está tentando emprego em carteira assinada. “Eu trabalho há três anos por conta própria, prestando serviços. Mas são tantos profissionais fazendo a mesma coisa que está difícil”, revela.

Alexandre Ciro Perin Bertoni, diretor técnico da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) em Bauru, não se surpreende com o índice baixo de emprego formal na cidade.

“Desde do ano passado estamos verificando que a diferença mensal positiva entre demissões e contratações está caindo. Há 12, 11 meses, o número era positivo entre 1.800 e 2.000. Na última análise que fizemos o número continua positivo, mas caiu para a casa dos 70 empregos”, diz.

Ele credita a redução de postos de trabalho à situação econômica do País e ao fechamento de algumas empresas. Mas para Bertoni, o índice de emprego poderia aumentar com a adoção de uma política para o setor mais agressiva e com a instalação do Banco do Povo.

Domingos Malandrino, diretor de Emprego da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, também não se surpreende com o índice de emprego formal de Bauru. “A carga tributária, que é de 43%, está levando muitos empresários para a informalidade. Além disso, temos que considerar o contexto econômico global e duas variantes locais”, diz.

Para Malandrino, há dois fatores locais que prejudicam o aumento de postos de trabalho. Um é o preço da passagem de ônibus, que ele considera altíssima. A outra é a aglutinação de indústrias e comércios em poucos pontos da cidade.

“Se a passagem de ônibus fosse mais barata ou tivesse o passe-integração, haveria mais gente com carteira assinada. É muito caro para o empresário contratar um funcionário que precisa de quatro passes por dia. O preço do ônibus impede o aumento de postos, inclusive entre empregadas domésticas”, afirma.