10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Material escolar está 15% mais caro

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Além do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as dívidas do Natal, os materiais escolares são mais uma preocupação neste início de ano. Comerciantes estimam que os produtos sofreram alta de 10% a 15% em relação ao ano passado.

Valmir Aucielli, proprietário de uma papelaria do Centro, afirma que o papel foi o produto que mais teve alta no último ano. “Subiu bastante: de 20 a 30% na fábrica”, afirma.

Além de cartolinas, papéis crepom, sulfite ou cartão, os cadernos estão entre os artigos que mais pesam no bolso das famílias com filhos em idade escolar.

“Aumentou muito. Eu paguei R$ 180,00 no ano passado e R$ 240,00 neste ano”, reclama Geisa Bersaneti Fernandes, mãe de duas crianças em idade escolar.

Luciandréa Pereira, cujo filho está na fase pré-escolar, também assustou-se com os preços. “Estão bem acima em relação ao ano passado. Houve uma alta grande principalmente sobre papéis e canetas”, afirma.

É importante atentar, entretanto, para a variedade de preços de acordo com as diferentes marcas. As pesquisas podem ser responsáveis por uma economia de até 50%, em determinados casos.

Aucielli afirma que ainda não repassou os reajustes para os clientes porque fez as compras nas fábricas em setembro. “Só vou repassar quando eu repuser as mercadorias”, garante.

Em outra papelaria do Centro, a alternativa encontrada para amenizar o impacto dos gastos para o consumidor foi negociar com os fornecedores e ter uma grande variedade de produtos nas prateleiras. “Os clientes estão bem mais exigentes e procurando o mais barato”, diz o gerente Nilo Sérgio Alves Júnior.

Contrariando o hábito de muitos, a dica é adiantar-se nas compras para garantir tempo hábil para pesquisas de preços e para encontrar variedade. Além disso, o risco de novos reajustes diminui. “O pessoal deixa para a última hora. Isso já é típico”, diz Alves Júnior.

Outra dica é percorrer lojas diferentes. Os materiais de primeira série de um colégio de Bauru (com exceção dos livros), por exemplo, podem variar de R$ 37,00 a R$ 50,00.

“Eu aproveito lapiseiras e estojos do ano anterior e também os livros do irmão mais velho”, diz Geisa.

Personagens

Os personagens estampados em cadernos, lancheiras e até tubos de cola são os principais vilões dos preços altos, segundo comerciantes. “As fábricas investem em personagens, que encarecem demais o produto. Eles chegam a custar o dobro”, diz Aucielli.

Um tubo de cola branca de 40 mililitros que custa R$ 0,45 pode chegar a R$ 0,90 devido à estampa de um personagem na embalagem. “Não é questão de qualidade”, enfatiza Aucielli.

Outro exemplo é o bloco de fichário. Em uma papelaria de Bauru, o bloco comum é vendido por R$ 3,80. O produto estampado com ursinhos de desenho animado custa R$ 6,00.

Pelo mesmo motivo, o preço de um caderno de capa dura de 200 folhas pode variar de R$ 5,90 a R$ 11,00.

Por isso, levar os filhos às compras de materiais escolares pode sair mais caro. “Quando o filho vai junto, ele exige o caderno da moda. Quando o pai e a mãe vão sozinhos, eles compram o mais barato”, diz Alves Júnior.

“Eu deixo meus filhos comprarem só uma caneta e um lápis diferentes. Os demais eu compro do mais barato”, conta Geisa.

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo afirma que a melhor opção, para quem tem condições financeiras, é pagar à vista.

Outra alternativa é parcelar em três vezes sem juros, desde que o valor à vista seja justo.

O economista desaconselha recorrer a bancos para financiar devido às taxas de juros. Ele indica apenas o financiamento da própria loja.

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Empréstimo

A Caixa Econômica Federal (CEF) está oferecendo empréstimo para as despesas do início do ano, tais como materiais escolares, matrículas, viagens de turismo, Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

A linha de Crédito Direto Caixa - Despesas de Início de Ano não tem uma destinação específica. Ela pode ser usada, inclusive, para outros gastos e dívidas e é disponibilizada automaticamente na conta de movimento do cliente (poupança ou conta corrente). Basta que o cliente assine o contrato.

Os interessados podem procurar o gerente de qualquer agência da instituição para definição do limite do crédito. Depois, a utilização pode ser feita no terminal eletrônico por meio de cartão magnético ou pela Internet (www.caixa.gov.br).

Os juros das linhas variam de 3,25% a 6,25% ao mês e o prazo de pagamento é de até 24 meses. O valor máximo da operação é de R$ 10 mil, com valor mínimo de R$ 25,00 para a prestação.