09 de julho de 2026
Regional

Dupla 'pernoita' no banco para furtar

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista - Foram detidos na madrugada de ontem dois homens acusados de furtar R$ 33.136,50 da agência central da Nossa Caixa Nosso Banco em Lençóis Paulista. Um dos acusados é cabo do 6.º Batalhão de Infantaria Leve (BIL) do Exército, em Caçapava.

Aproximadamente às 2h, a Polícia Militar (PM) recebeu uma denúncia anônima sobre barulhos e cheiro de queimado provenientes da agência bancária.

No local, os policiais ouviram barulho de maçarico e vozes de duas pessoas conversando em tom normal.

O vigilante noturno Abílio Félix Bueno, 33 anos, disse que entrou em serviço às 23h e notou a movimentação. No entanto, como há poucas semanas a agência passou por reformas, ele acreditou que poderiam ser pedreiros executando outro serviço no local.

Após algumas horas, o vigilante percebeu que o cadeado da frente da agência estava fechado pelo lado de fora, o que não ocorre quando há reformas. Então ele teria acionado a polícia.

Com o auxílio de uma escada, os policiais viram que havia sido feito um buraco na parede da agência voltada para os fundos, num vão entre o banco e uma loja.

Foi montado cerco e, após uma hora de espera, os acusados Itamar Cortélio da Silva, 25 anos, e Humberto de Sena da Costa, 38 anos, foram detidos quando saíam da agência através do buraco, com duas bolsas azuis nas mãos.

Os R$ 33.136,50 furtados estavam distribuídos nas duas bolsas. Os acusados são naturais de São José dos Campos. Silva serve o Exército como cabo em Caçapava e Costa se diz ajudante de motorista.

Ambos confessaram que uma terceira pessoa estaria participando da operação, mas estava do lado de fora da agência com um carro e buscaria os dois quando eles ligassem no celular.

Horas

Todo o trabalho da dupla, até o momento em que foi detida pela polícia, teria durado cerca de sete horas. Eles chegaram ao local por volta das 20h do dia anterior e abriram o buraco na parede com um arco de pua.

Posteriormente, eles abriram duas portas de cofre com maçarico. Os acusados forraram o teto da agência com uma lona preta para abafar a luz emitida pelo maçarico.

A polícia constatou que havia várias chamadas não atendidas nos aparelhos de telefone celular que estavam com os dois. O delegado Luiz Cláudio Massa acredita que o terceiro participante da operação tentou avisá-los sobre o cerco policial. “Provavelmente eles não ouviram o telefone devido ao barulho do maçarico”, diz.

Além do dinheiro furtado, foram apreendidos pela polícia três bolsas azuis, um rolo de fita adesiva, seis chaves de fenda, dois isqueiros, um relógio digital de pulso, um par de óculos de sol, quatro máscaras contra pó, um alicate de pressão, dois aparelhos de telefone celular, um ponteiro de maçarico, um arco de pua, duas alavancas de metal, uma marreta, onze cartuchos de calibre 38, dois revólveres, uma mangueira de maçarico, dois cilindros de maçarico, duas camisas, uma calça jeans, um cinto de couro e quatro pares de luva.

Os acusados foram detidos em flagrante e encaminhados à Cadeia Pública de Lençóis Paulista. A agência bancária da Nossa Caixa Nosso Banco em Lençóis Paulista ficou fechada ontem durante parte da manhã. A gerência não forneceu informações à equipe de reportagem.

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Exército apura

O cabo Itamar Cortélio da Silva, detido em flagrante na madrugada de ontem por acusação de furto da agência central da Nossa Caixa Nosso Banco em Lençóis Paulista, será transferido para o 6.º Batalhão de Infantaria Leve (BIL) do Exército, em Caçapava.

De acordo com o coronel Amauri Fernandes Júnior, chefe da brigada do 6.º BIL, Silva ele ficará detido no quartel até o término da sindicância que vai apurar os fatos. Posteriormente, serão tomadas as medidas cabíveis.

O coronel disse, ainda, que Silva estava em férias. Ele não forneceu informações sobre o histórico do cabo no Exército.

O envolvimento do cabo no crime remete aos dois casos de latrocínio praticados na região em outubro do ano passado, que têm como acusados o ex-cabo Antônio Marcos Calixto dos Santos e o ex-soldado Flávio Roberto da Silva, expulsos do 37.º Batalhão de Infantaria Motorizado de Lins (BIMTZ).

Eles são acusados de roubar e matar o médico uruguaio Alberto Neri Fernandez da Costa Porto, 39 anos, e o dentista Silvio Luiz Minarelli, 41 anos, de Jaú. Ambos confessaram a autoria dos crimes e foram excluídos da corporação.