A chuva que caiu sobre Bauru ontem à noite, a mais forte desde fevereiro do ano passado, fez vítimas e muitos estragos. Pelo menos quatro pessoas foram salvas de serem levadas pela enxurrada na avenida Nações Unidas, de acordo com a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. A força da água da chuva, que transformou a via em um rio de forte correnteza, arrastou cerca de dez veículos.
“Foi a pior chuva dessa temporadaâ€, diz Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru. “Graças a Deus não tivemos morteâ€, frisa ele, lembrando que em 2001 quatro pessoas perderam suas vidas durante um temporal na cidade.
A luta de um homem para não morrer na enxurrada, na altura da quadra 16 da avenida Nações Unidas, desesperou e emocionou Regina Monari, que assistiu a cena sem poder ajudar, de um prédio da via.
“Quando o carro começou a ser arrastado, ele saiu e foi levado pela enxurrada por vários metros. Ele agarrava-se no que encontrava pela frente para não ser levado até ser salvo por um rapaz, que jogou uma cordaâ€, relata.
A sorte do homem, segundo Regina, é ter conseguido segurar-se em uma árvore. “Ele só parou de rodar quando conseguiu segurar-se em uma árvore e pegou a corda que o rapaz amarrou em um poste, arriscando a própria vidaâ€, relata.
Na quadra 8 da Nações, em frente ao Centro Cultural, uma família inteira, que ficou ilhada dentro do carro, também foi salva por uma corda. “O Corpo de Bombeiros jogou uma corda para o casal de idosos e um rapaz que estavam no carro. Eles saíram arrastadosâ€, conta uma testemunha.
Os bombeiros, de acordo com a testemunha, tentaram o resgate várias vezes, mas tiveram que esperar o nível da água baixar um pouco para não serem levados pela enxurrada. “Foi uma cena terrível porque as pessoas dentro do carro estavam correndo risco de vidaâ€, diz. Cerca de 15 bombeiros participaram do resgate.
O comerciante Manoel conta que na hora da chuva dois carros que foram arrastados pela enxurrada bateram em seu trailler, instalado na quadra 10 da Nações. “Os carros continuaram rodando. Para o trailler também não ir embora, precisei amarrá-lo ao poste com uma cordaâ€, diz.
Mesmo assim, a enxurrada invadiu o trailler e as rodas traseiras quebraram. “Perdi o valor referente a dois dias de serviçoâ€, afirma. Salvador Loureiro, que mudou-se de São Paulo para Bauru há um ano, diz que nem na Capital presenciou uma chuva com tantos estragos.
Na hora do temporal, ele estava no Centro Cultural, que teve o primeiro piso invadido pela enxurrada. O filme que estava sendo exibido precisou ser suspenso. “As pessoas entraram em pânico ao ver os carros sendo arrastados com pessoas pela avenidaâ€, diz.
Ainda na Nações Unidas, uma mulher teve muita sorte ao sair ilesa de um carro que rodou na altura do Supermercado Paulistão até a Praça do Líbano. O veículo, o Monza BZW 5463, de Bauru, ficou todo amassado ao bater em outros veículos e obstáculos.
De acordo com testemunhas, a mulher só saiu do veículo quando a água baixou. A empresária Marli Gomes Borges, que mora nos Altos da Cidade, entrou em desespero quando chegou em sua casa, por volta das 23h30. “O muro da casa vizinha desabou e uma quantidade enorme de água, que estava represada, invadiu minha casa. Destruiu sofá, cama, mesa, tudoâ€, dizia ela ontem à noite, desolada.
Igualmente desesperada estava a dona de casa Elisabete Mustafá Delicato, que mora na quadra 1 da rua Nair Macacari Pleti, no Condomínio Primavera. “Uma erosão enorme está levando a rua e está a menos de um metro da minha casa. São cerca de dez casas que podem ser engolidas pelo buracoâ€, diz.
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Caíram 42 milímetros
A chuva que caiu em Bauru ontem à noite realmente foi intensa. A precipitação acumulada entre 15h e 22h na estação do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) foi de 42 milímetros, número considerado alto para o espaço de tempo, de acordo com o instituto.
O temporal de ontem foi resultado de um sistema frontal que está estacionado sobre o Estado de São Paulo, de acordo com o IPMet. Para hoje, a previsão é de nebulosidade variável, com chuvas isoladas à tarde. A tendência continua sendo de chuva até terça-feira.
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Temporal desaloja famílias de 3 bairros
Oito famílias do Parque das Nações, quatro do Parque Jaraguá e duas do Jardim Nicéia ficaram desalojadas com a chuva de ontem à noite, segundo Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil. “A enxurrada invadiu as casas dessas famílias, que tiveram que sair do imóvel até a água baixarâ€, relata.
Apesar de perderam móveis, Brito diz que não seria preciso remover as famílias para um abrigo. “Elas já estão voltando para suas casas. Foi mais prejuízo materialâ€, conta. “São números parciais porque ainda não conseguimos retorno da situação em toda a periferiaâ€, explicou Brito por volta da meia-noite.
Ele ressalta, no entanto, que os estragos provocados pelas chuvas em Bauru são previsíveis e resultado do pouco investimento em obras de infra-estrutura. “Qualquer pessoa que mora na cidade sabe onde os problemas ocorrem durante as chuvas mais fortes. Não é preciso ser especialista para saber. Mas os problemas continuam porque se investe muito pouco em prevençãoâ€, critica.
Brito frisa que é muito mais barato realizar obras de infra-estrutura - principalmente galerias pluviais - que recuperar os estragos da chuva. â€œÉ infinitamente mais barato prevenir do que consertar. Mas mesmo assim não se previne. E muita coisa que é feita não tem o padrão de qualidade que é precisoâ€, conclui.