08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Edilidade injuriada


| Tempo de leitura: 3 min

“Na minha opinião, o “show” já acabou”, fraseou o laborioso e desprendido edil José Eduardo Ávila, do partido do Maluf, em 9/1 pág. 3 do “JC”. Não acabou não, senhor edil. A menos que também concorde com o seu colega de partido e do alcaide quando disse ser todo esse constrangimento, “uma coisa boba”. A confirmar essa hipótese do edil Ávila, concordamos ter que também de concordar com o professor Vitor Mirshauskas, tão bem recordado pelo engenheiro Coaracy A. Domingues dias atrás, nesse mesmo espaço, e ainda concordar com outro edil, que até agora ainda é do partido do Geraldo, que disse: “Essa Câmara parece casa da sogra”.

Sugiro ao esclarecido edil do partido do Maluf a leitura do texto “Tolerância zero”, elaborado pelo seu par edil Antonio Carlos Garmes, publicado em 29/12, pág. 2 do Jornal da Cidade. Concordo com o texto do edil Garmes e, principalmente, quando finaliza dizendo: “A tolerância deve ser zero com aqueles que malversam o numerário público”. Acrescento ainda: seja o numerário na quantia que for, de R$ 233,00 para mais ou para menos. Na verdade verdadeira, a CEI das compras, conforme declarou o seu presidente num dos canais de TV local, “cada vez mais fica impossível que a CEI das compras acabe em “pizza”, como já estão supondo alguns eleitores ser esse o caminho que esteja seguindo a CEI do viaduto, que tem como relator o petista Batata. A CEI das compras com certeza já analisou detidamente aquela história do edil que contratou duas assessoras e na realidade uma das assessoras era assessor. A denúncia ocorreu no final do ano passado, e com esse negócio de eleição para presidente da edilidade, Natal, Papai Noel, passagem de ano, pão de queijo etc., a história foi aos poucos sendo esquecida pela mídia. Mas com certeza o edil Garmes está atento!

É evidente que também já foram analisados as declarações dos edis que faziam parte da Mesa Diretora anterior e que no final, e só no final de suas responsabilidades de gestores da edilidade, só no final, repito, resolveram “bombardear” o antigo presidente. Declarações dos edis, secretárias e do vice-presidente acusando o presidente de ser o centralizador das decisões, bem como realçando o poder do mesmo, gera para nós, eleitores, a sensação de que a intenção foi dizer que o presidente era e é o único culpado de todas as mazelas ocorridas nos 730 dias de gestão. Ora, ora, ora. Não é bem assim! Treze dias antes do término da gestão da antiga diretoria da edilidade, três de seus membros fizeram declarações no “JC” de 18/12, pág. 4, que conflitam com o comportamento de conduta parlamentar desejável, ou seja, se presidente, que solidariamente também tem sua parcela de responsabilidade por permitir chegar onde chegaram as irregularidades escancaradas à sociedade bauruense com relação a desorganização no setor administrativo da edilidade, nem por isso estão os edis pares, imunes ou isentos das mesmas responsabilidades.

Agora, depois de 717 dias fazendo uso de eventuais mordomias proporcionadas pelos cargos que exerceram, não é politicamente correto que, ao final da gestão, venham à público “descer o sarrafo” no seu colega de gestão e com isso querendo mostrar à sociedade, e principalmente aos eleitores bauruenses, uma indignidade que não condiz com as responsabilidade de usar o título de edil da provinciana Bauru. Antes de declararem o que está estampado na referida pág. 4 do “JC”, que abdicassem via renúncia de suas prerrogativas constitucionais. Aí, sim, o eleitor poderia certamente avaliar de forma isenta a conduta dos parlamentares. Avaliar de forma positiva. Da forma como foi posta, é só aguardar em 2004 o resultado da bagunça administrativa que a direção anterior da edilidade ocasionou e o constrangimento a que foi submetido o excelente e competente corpo funcional, que veste a camisa de servidor público e o faz com a maior dignidade. (Nicanor Amaro Silva - RG. 7.725.024)