08 de julho de 2026
Bairros

Chuvas chegam a abrir buraco de 300m

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O processo de surgimento de uma erosão pode ser muito mais rápido do que se imagina. O solo arenoso de Bauru é suscetível à abertura de buracos e, com a força das chuvas, uma erosão de 300 metros de largura, por oito de profundidade, pode nascer com apenas uma chuva. “O solo de Bauru não apresenta coesão nenhuma para agüentar o volume de água de uma grande chuva”, salienta o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte.

De acordo com estimativas de ambientalistas e geólogos, a cidade possui atualmente cerca de 40 erosões, muitas na área urbana, mas a maioria nos limites do município. “Um levantamento feito por mim em 2001 mostra que a cidade possuía, naquela ocasião, quase 40 erosões”, explica o geólogo Nariaqui Cavaguti, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que hoje dá consultoria para a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Ele fez a sua tese de livre docência (doutorado) sobre esse assunto, em 1993. Na época, Cavaguti contabilizou 35 erosões na cidade.

A maior e mais preocupante era a do Parque Bauru. “Essa chegou a ser uma das maiores erosões urbanas do Estado de São Paulo”, explica Antônio Carlos Duarte.

Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) estiveram, na ocasião, mapeando os principais buracos de Bauru. No relatório expedido por eles, consta que a erosão tinha 800 metros de comprimento, 30 de largura, uma profundidade média de 15 metros e um volume de 315 mil metros cúbicos.

Segundo a ficha de cadastro do IPT, em dezembro de 1992, devido ao alto índice pluviométrico, “a voçoroca (erosão) destruiu nove moradias, rede de esgoto, três ruas e causou a morte de uma pessoa, além de colocar várias moradias em risco.”

O trabalho para combater essa erosão foi realizado em 1993. Foi feito um sistema de drenagem mais eficiente e aterrado o buraco. No entanto, recentemente, a erosão começou a aparecer novamente. “Há 15 dias, nós terminamos o serviço para consertar aquela região”, diz Duarte.

Segundo ele, a drenagem não foi feita de forma completa, o que acabou provocando a concentração de água de chuva no local. “Nós tivemos que aumentar o diâmetro das galerias de águas pluviais para 1,5 metros, tamanho suficiente para suportar a demanda na área”, salienta.

Pousada sobre o açude

A erosão da Pousada da Esperança 1, que ainda hoje causa problemas para o bairro, também havia sido detectada pelos técnicos do IPT em 1993. De acordo com o relatório, ela era considerada de alta criticidade em 27 de abril daquele ano. Com 200 metros de comprimento, por 15 de largura e sete de profundidade, ela possuía 21 mil metros cúbicos de volume.

O documento diz ainda que o bairro foi construído em uma área que antes abrigava uma fazenda de gado com dois açudes em eixo de drenagem natural. “Um dos açudes foi aberto, provocando o assoreamento e o rompimento do outro, onde se instalou a voçoroca”, relata o texto dos técnicos, escrito em abril de 1993.

Essa erosão foi aterrada em 1989, utilizando-se para isso lixo doméstico e hospitalar. De acordo com o documento do IPT, nas primeiras chuvas de 1990, a terra foi removida, deixando o lixo aparente. “Com as chuvas do início de 1993, o processo erosivo ressurgiu”, diz o relatório.

Atualmente, além desta, há mais duas erosões na Pousada da Esperança. Uma delas, segundo o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, está com 70% do problema resolvido, tanto com aterro, quanto com a construção de galerias de águas pluviais e escoamento disciplinado . “Ainda falta um trecho de cerca de 150 metros”, afirma Duarte.