O processo de surgimento de uma erosão pode ser muito mais rápido do que se imagina. O solo arenoso de Bauru é suscetível à abertura de buracos e, com a força das chuvas, uma erosão de 300 metros de largura, por oito de profundidade, pode nascer com apenas uma chuva. “O solo de Bauru não apresenta coesão nenhuma para agüentar o volume de água de uma grande chuvaâ€, salienta o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte.
De acordo com estimativas de ambientalistas e geólogos, a cidade possui atualmente cerca de 40 erosões, muitas na área urbana, mas a maioria nos limites do município. “Um levantamento feito por mim em 2001 mostra que a cidade possuía, naquela ocasião, quase 40 erosõesâ€, explica o geólogo Nariaqui Cavaguti, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que hoje dá consultoria para a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Ele fez a sua tese de livre docência (doutorado) sobre esse assunto, em 1993. Na época, Cavaguti contabilizou 35 erosões na cidade.
A maior e mais preocupante era a do Parque Bauru. “Essa chegou a ser uma das maiores erosões urbanas do Estado de São Pauloâ€, explica Antônio Carlos Duarte.
Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) estiveram, na ocasião, mapeando os principais buracos de Bauru. No relatório expedido por eles, consta que a erosão tinha 800 metros de comprimento, 30 de largura, uma profundidade média de 15 metros e um volume de 315 mil metros cúbicos.
Segundo a ficha de cadastro do IPT, em dezembro de 1992, devido ao alto índice pluviométrico, “a voçoroca (erosão) destruiu nove moradias, rede de esgoto, três ruas e causou a morte de uma pessoa, além de colocar várias moradias em risco.â€
O trabalho para combater essa erosão foi realizado em 1993. Foi feito um sistema de drenagem mais eficiente e aterrado o buraco. No entanto, recentemente, a erosão começou a aparecer novamente. “Há 15 dias, nós terminamos o serviço para consertar aquela regiãoâ€, diz Duarte.
Segundo ele, a drenagem não foi feita de forma completa, o que acabou provocando a concentração de água de chuva no local. “Nós tivemos que aumentar o diâmetro das galerias de águas pluviais para 1,5 metros, tamanho suficiente para suportar a demanda na áreaâ€, salienta.
Pousada sobre o açude
A erosão da Pousada da Esperança 1, que ainda hoje causa problemas para o bairro, também havia sido detectada pelos técnicos do IPT em 1993. De acordo com o relatório, ela era considerada de alta criticidade em 27 de abril daquele ano. Com 200 metros de comprimento, por 15 de largura e sete de profundidade, ela possuía 21 mil metros cúbicos de volume.
O documento diz ainda que o bairro foi construído em uma área que antes abrigava uma fazenda de gado com dois açudes em eixo de drenagem natural. “Um dos açudes foi aberto, provocando o assoreamento e o rompimento do outro, onde se instalou a voçorocaâ€, relata o texto dos técnicos, escrito em abril de 1993.
Essa erosão foi aterrada em 1989, utilizando-se para isso lixo doméstico e hospitalar. De acordo com o documento do IPT, nas primeiras chuvas de 1990, a terra foi removida, deixando o lixo aparente. “Com as chuvas do início de 1993, o processo erosivo ressurgiuâ€, diz o relatório.
Atualmente, além desta, há mais duas erosões na Pousada da Esperança. Uma delas, segundo o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, está com 70% do problema resolvido, tanto com aterro, quanto com a construção de galerias de águas pluviais e escoamento disciplinado . “Ainda falta um trecho de cerca de 150 metrosâ€, afirma Duarte.