“O Coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e duas revoluções armadas (...). Teve dezessete filhos exterminados (...). Escapou de quatorze atentados, setenta e três emboscadas, um pelotão de fuzilamento. sobreviveu a uma dose de estricnina (...)â€, constatando a seguir que sua luta fora “um contra-senso†pois “por durante quase vinte anos estiveram lutando contra os sentimentos da naçãoâ€, enquanto alguns membros do partido estiveram mendigando um assento no Congresso Nacionalâ€.
O personagem acima da obra “100 Anos de Solidãoâ€, do Prêmio Nobel de Literatura, o colombiano Gabriel Garcia Marquez, traz um panorama do que ocorre na realidade com aqueles que acreditaram na luta armada. O local onde se desenrola a trama, como não poderia deixar de ser, é a Colômbia, porém o mesmo enredo poderia ser adaptado no Brasil dos anos 60 e 70, quando um contingente de jovens viam na luta armada e nos ideais da esquerda a solução para todos os problemas. Muitos, iludidos, participaram de treinamento de guerrilha em Cuba, e outros no Brasil mesmo, sob supervisão dos companheiros treinados na terra do Fidel. Participaram de ações terroristas, roubos, sequestros e, obviamente, muitos foram mortos. Porém, uma parcela soube aproveitar a oportunidade e procurou construir a sua carreira política, e chegaram lá, mesmo durante o regime militar.
Com a redemocratização do Brasil e a anistia, as portas se abriram, e bastava constar no curriculum que haviam participado de movimentos clandestinos, e não necessariamente pego em armas, que a eleição estava garantida, até mesmo “para um posteâ€, como também os cargos nos mais diversos escalões dos governos eleitos pela esquerda. Diz o ditado popular que “herói é o soldado que não conseguiu fugirâ€, e para aliviar a consciência de quem estava no poder, ofereceu-se uma indenização de R$ 150 mil por militante morto, que os familiares obviamente não recusaram.
Logicamente houve chiadeira da parte dos familiares daqueles que morreram no confronto com os guerrilheiros, porém a esses não foi oferecida a indenização, nem tampouco foram tratados como heróis. Os tempos, então, eram outros.
No governo que se instalou em Brasília neste ano, existem vários ex-guerrilheiros, inclusive uma versão masculina da viúva Porcina, personagem de Dias Gomes na novela Roque Santeiro. (Para quem não se lembra, a Viúva Porcina era aquela que foi, sem nunca ter sido). Grato pela publicação. (Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501)