08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Cuidado com ela!


| Tempo de leitura: 3 min

“Olá pessoal! O prazer de voltar a este caderno, narrando as peripécias vividas no mundo da pesca, é muito gratificante. Imaginem vocês, o susto e a surpresa vivenciados por este apaixonado pela pesca, bem no meio do Pantanal.

Estávamos no confortável rancho do amigo Chaves (que não é o da TV mexicana, mas sim, o meu amigo do Banespa), lá em Porto Esperança, no magnífico rio Paraguai.

Preparando a pesca para o dia seguinte, eu resolvi pegar algumas iscas vivas (pequenos lambaris e sauás), num pequeno riacho, próximo ao rancho, cujas águas rasas descem das encostas em direção ao imenso e histórico rio Paraguai, provindas da parte mais alta das montanhas que circundam a margem esquerda do rio, oferecendo-nos um cenário exuberante. Pequena varinha de bambu na mão direita e, na esquerda, uma latinha preciosa, bem geladinha, “refrescando até o pensamento”!

Como isca, o conhecido “macarrãozinho” já tinha ajudado a fisgar alguns “peixinhos” que nadavam saltitantes dentro do balde, aprisionados, prontos para serem devorados pelos enormes dourados que, se Deus ajudasse, estariam à nossa espera no dia seguinte.

Agora vem a surpresa maior! Repentinamente, o pequeno riacho começou a diminuir de tamanho; suas águas foram escasseando pouco a pouco, e, como num passe de mágica, simplesmente secou!

A água desapareceu por completo, deixando à mostra o fundo arenoso, repleto de algas ainda molhadas e escorridas por entre pequenos galhos! Que coisa espantosa! Assustado, saí em desabalada carreira, gritando pelo Chaves que, alheio a tudo o que se passava, preparava um delicioso churrasco.

“Larga tudo e vem comigo!”, ordenei desesperado. Juntos, de volta ao local, eu quase pirei! Estava tudo como antes, pois o pequeno rio voltara a correr novamente! Como é que pode, meu Deus? O Chaves já começou a falar em me internar assim que chegássemos a Bauru.Teria sido uma alucinação?

Confesso que fiquei preocupado com minha saúde mental. “Será que estou ficando louco?”, pensei. Mas, graças a Deus, a explicação para aquele fenômeno chegou rapidamente.

Os amigos Sidnei e Cirineu, que estavam a navegar no caudaloso rio Paraguai, chegaram contando algo inusitado. Eles haviam ancorado o barco alguns quilômetros acima e adentraram pela mata, buscando conhecer a região.

O susto deles foi maior do que o meu! Deram de cara com uma enorme sucuri, medindo mais de 18 metros! A enorme cobra era justamente a mesma que havia engolido o Raulzinho com relógio-despertador e tudo, lembram? (Coisas de Pescaria - 16.01.03).

De acordo com a narrativa do “Sidão”, ainda trêmulo e assustado pelo que vira, a sucuri gigante ainda tinha presa na sua boca uma das muletas do pobre Raul! Pois bem, aquele monstruoso réptil da família dos boídeos, estava atravessando o mesmo riacho onde eu pescava minhas iscas, porém, alguns quilômetros acima.

Devido ao seu enorme peso, a sucuri se arrastava vagarosamente, quase parando. Não deu outra. Ela foi represando o rio ao longo de seu corpo e a água se desviou por um tempo, tomando um novo caminho. Depois da cobra terminar a travessia, o pequeno riacho voltou a correr em seu leito original. Ainda bem que eu não estava ficando louco! Ufa! Que alívio!

Mas assim mesmo ficamos apavorados e resolvemos cair fora. Já pensaram se a cobra resolve visitar o rancho? Um abraço ao Raulzinho, que deve ser amigo íntimo da tal sucuri, pois ele a conheceu “por dentro”. Boas pescarias a todos neste ano de 2003.” (Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias)