Conheci você em um ponto de ônibus, precisamente na avenida Rodrigues Alves, no ano de 1984.
Foram várias trocas de olhares, mas um dia a encontrei no Clube dos Bancários em umas das domingueiras, daí pra frente, foi só alegria, beijos, carinhos...
Não me cansava de ver a mina. Chuva, frio, lá estava eu. Como éramos jovens não sentíamos as noites em Bauru. Aí é que começou a desmoronar a minha vida.
Com as noitadas entrei numa situação indesejável, pois aos poucos fui perdendo o controle de mim.
Fui perdendo amigos, aconteceram vários acidentes, enfim, uma vida de cão.
Tudo isso devido a algo chamado alcoolismo.
Alcoolismo esse que me fez perder as melhores coisas da vida na época.
Não sei se você percebia, mas eu estava precisando de ajuda e não de uma rasteira.
Tenho boas lembranças dessa mina, pois sempre tive dificuldade em me abrir com alguém, talvez por medo de ser reprimido mesmo sendo com a minha namorada. Aí foi onde me dei mal.
Por essa dificuldade, eu comecei a relaxar e a me entregar à bebida.
Não bebi por muito tempo, mas o suficiente para perder tudo na vida, inclusive a preta.
Cheguei ao fundo do poço, mas um dia eu consegui Mina. Eu ergui a cabeça, e como um bom guerreiro, consegui reverter a situação.
Hoje abstêmio ao álcool há mais de 11 anos, vejo como a vida é uma boa.
Nunca me esquecerei da preta, pois foi uma das poucas mulheres de quem eu gostei.
Há 14 anos não a vejo. Peço a Deus que esteja tudo bem com ela.
Hoje, peço-lhe desculpas. Não a culpo por ter me deixado, só queria uma força, pois a situação estava ruim.
Nunca a desrespeitei na situação de mulher, mesmo estando talvez alcoolizado, pois era a pessoa de quem mais gostava no momento e confiava.
Só sinto não poder olhar nos teus olhos e falar o que realmente aconteceu.
Por favor, não pense que foi safadeza, pois hoje eu sei o que é o álcool.
Mina, todos os dias eu rezo por você. Mesmo me deixando eu a perdôo. Mas não me esqueço que um dia a amei.
Gato