O futebol brasileiro está ganhando notoriedade não pelos pés dos grandes craques que são revelados às pencas em nossas periferias, e sim pelas mãos dos empresários e procuradores de jogadores. Esses senhores dominam o cenário e ditam as regras para as compras, vendas , empréstimos e todo tipo de transferências de nossos craques na atualidade.
O fim da Lei do Passe que prendia o direito federativo do jogador aos clubes foi substituída pelo julgo desses senhores que estão enriquecendo muito mais do qualquer profissional do meio esportivo.
Com isso começou a grassar pelos campos esportivos uma nova moda perniciosa aos clubes, bem como ao próprio futebol, que é o fato de que a maioria maciça dos nossos jogadores, orientados por seus empresários, não cumprem seus contratos até o final.
Os mesmos são orientados a solicitar aumentos salariais no meio do contrato, e usam propostas muitas vezes forjadas para pressionar seus clubes. Quando não são atendidos os jogadores e empresários invocam o tal “profissionalismo†e a necessidade de fazer o pé de meia, para então romper o contrato sem pagar multas contratuais e se transferirem para outros clubes do Brasil ou até do exterior.
São inúmeros os casos de jogadores que embora digam em entrevistas a imprensa que o jogador Zico é o seu grande ídolo, esquecem de seguir o exemplo daquele craque dentro e fora dos gramados. Nossos jogadores só pensam em dinheiro e são manipulados feito bonecos de pano por seus empresários inescrupulosos.
Claro que a maioria também não percebe que essas atitudes acabam levando os jogadores a serem marginalizados no meio, inclusive pelos torcedores que não entendem o fato de um jogador que ganha R$ 100 mil reais, precisar romper seu contrato para ganhar um pouco mais em outro clube no meio de uma competição. A receita federal e o banco central em conjunto com o Ministério Público deveriam promover uma verdadeira devassa nas contas e nos negócios de todos os chamados empresários, procuradores e advogados de atletas profissionais brasileiros. Pois é muito estranho que essa categoria possa enriquecer tanto em tão pouco tempo sem a devida contrapartida de recolhimento de impostos e tributos como o fazem todos os demais trabalhadores brasileiros. Aos jogadores de futebol resta lembrarmos de exemplos de espertalhões que terminaram suas carreiras marginalizados e esquecidos do grande público, e sem o apoio de empresários que nessas horas desaparecem da vida de seus antigos parceiros.
Você consegue lembrar em qual clube jogam atualmente jogadores como Edmundo, Palhinha, Rincón, Viola, Tulio, Donizete e tantos outros que estão no ostracismo ou apenas são figurantes de times desconhecidos, onde mesmo assim, não são mais ídolos e as vezes são reservas de equipes medianas do futebol mundial. Num passado não muito distante os grandes personagens do futebol eram os craques, hoje mal começam suas carreiras e os garotos dão lugar aos empresários. E esses estão acabando com a credibilidade e a moral dos seus representados perante o grande público. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)