Iacanga - A falta de tratamento do esgoto doméstico produzido em Iacanga há muito tempo vem desagradando os moradores. Cansados de conviver com o mau cheiro e de ver os turistas cada vez mais longe da cidade, eles resolveram formar uma comissão para cobrar das autoridades públicas uma solução para o problema.
Uma das grandes conquistas alcançadas até o momento pela comissão “Por Amor a Iacangaâ€, recém-criada, foi reunir vereadores e prefeito em um mesmo ônibus e levá-los até Pompéia. Lá todos puderam conhecer o sistema de tratamento de esgoto adotado pelo município.
A intenção dos moradores foi a de fazer com que seus representantes políticos tomassem o sistema como modelo e discutam a possibilidade de implantá-lo também em Iacanga.
Outra vitória recente, segundo contou o presidente da comissão, Ronaldo Rufato, 34 anos, foi levar todos os vereadores para conhecer a estação de captação, por onde passa todo o esgoto doméstico do município.
Mesmo estando na própria cidade, a estação nunca havia sido visitada pela maioria dos vereadores, segundo informou Rufato.
“Têm vereadores que estão no segundo ou terceiro mandato e nunca tinham entrado na estação. Eles não tinham a mínima idéia da imundice que é aquiloâ€, disse ele, sem citar nomes.
Construída em 1969, a estação está em estado precário de conservação, exala mau cheiro para toda a vizinhança e boa parte do esgoto que passa por ela é despejada no córrego do Areião, um afluente do rio Tietê, a cem metros de um dos principais pontos turísticos da cidade: a prainha. O restante também é lançado no rio, mas em um ponto um pouco mais distante da praia.
A estação não serve para tratar o esgoto. Ela apenas centraliza a coleta e lança toda a sujeira “in natura†no Tietê. Pela estimativa da prefeitura, Iacanga produz atualmente cerca de 1,2 milhão de litros de esgoto todos os dias.
A “briga†agora, segundo Rufato, é fazer com que prefeito e vereadores deixem de lado suas intrigas políticas e unam esforços para resolver o problema do esgoto em Iacanga.
Aliás, essa seria uma das principais finalidade da comissão; servir de intermediária entre a Câmara e a prefeitura. “Eles (prefeito e vereadores) não conversam entre si. E quem perde com isso é a populaçãoâ€, protestou ele.
Rufato disse que está parado na Câmara um projeto de lei do Poder Executivo que trata do assunto. Segundo ele, os vereadores alegam que o projeto está em desacordo com a legislação federal. Do outro lado, o prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL) estaria alegando que não há nada de errado com o projeto. Criou-se então o impasse, e a solução fica cada vez mais distante.
“Hoje, Iacanga é uma Venezuela. Metade da população de um lado e metade do outro. É a eterna briga entre Aroeiras e Pica-Pau. Então, resolvemos criar a comissão, com o objetivo de intermediar o diálogoâ€, explicou.
Caso a discussão sobre o projeto do prefeito continue parada, a comissão tem em seus planos procurar em cidades vizinhas um projeto viável e apresentá-lo as autoridades.
Hoje, dois meses após a primeira reunião, a comissão conta com a adesão de 50 moradores. No começo, o grupo contava com apenas cinco membros.