09 de julho de 2026
Bairros

Estradas rurais: 580km de lama

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

As chuvas que atingiram a cidade nas duas últimas semanas não causaram estragos apenas na zona urbana. Os cerca de 580 quilômetros de estradas rurais de Bauru também ficaram danificados pela ação das águas, impossibilitando, em alguns casos, o transporte da produção agrícola para a cidade.

De acordo com a engenheira Marlene Costa Lima, diretora de estradas municipais da Secretaria de Obras, mais de 90% dessas estradas são de terra. “Temos poucos trechos pavimentados”, afirma.

Somando-se a esse fato a pouca manutenção dada a essas vias, os problemas acabam surgindo com mais intensidade na época das chuvas.

O diretor distrital de Tibiriçá, Marcelo Gonçalves Frago, salienta que o maquinário para o conserto das estradas de terra é restrito. “O equipamento é muito precário. Não tem condições de atender o município inteiro”, esclarece. Ele explica que, há três anos, o Distrito de Tibiriçá - que tem cerca de 200 quilômetros de estradas de terra - não tinha nenhum trator ou caminhão. Hoje, eles possuem um caminhão e dois tratores reformados.

Para Marlene, o número de máquinas de manutenção é suficiente para atender a demanda. “Nós temos três máquinas grandes e um caminhão basculante. Seria bom ter mais um caminhão, mas o que temos já é suficiente”, afirma.

O problema é que, em época de chuva, quando aumenta a necessidade de se fazer conserto nas estradas, os equipamentos acabam sendo cedidos para outros setores da prefeitura, que cuidam da zona urbana. “Agora, com esse problema das chuvas, as nossas máquinas estão ajudando a consertar a cidade”, diz a engenheira.

O caminhoneiro Ideval dos Santos, que mora em Tibiriçá, salienta que dá medo passar nas estradas rurais quando chove. “Fica cheio de poças e a gente não sabe o que tem embaixo. Dá medo de atolar”, afirma.

O aposentado José Cosmo, que mora no distrito, diz que já ficou sabendo de muitos produtores que não tiveram como escoar a safra por causa dos problemas da estrada. “Todas as vezes que chove, alguém sai prejudicado. No mês passado mesmo, fiquei sabendo de um produtor que não conseguiu levar a safra para vender, pois ficou atolado na estrada”, afirma.

O presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde Guimarães, salienta que o estado das estradas é o pior possível. “Nossas estradas não têm conservação nenhuma. Está um problema terrível para quem mora no campo. As pessoas não têm acesso à cidade e ficam travadas quando chove”, frisa.

Ele destaca que fica até “tímido” em cobrar melhorias para esse setor do município dado o estado de destruição da área urbana. “Não tem como a gente ficar exigindo, pois a cidade ficou destruída depois dessas chuvas”, enfatiza.

No entanto, ele reforça que é dever da prefeitura manter as vias de acesso em perfeitas condições. “Para isso, nós pagamos uma taxa que se chama Imposto sobre Estradas Rurais”, garante.

Perguntado sobre que nota daria para as condições atuais das estradas rurais, o titular da Secretaria Municipal de Agricultua e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, diz que daria um 5. “Precisa fazer uma revisão em quase toda a malha viária da zona rural”, ressalta.