08 de julho de 2026
Bairros

Custo do km recuperado é de R$ 15 mil

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Um levantamento feito pela Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) mostra que o custo médio para fazer a correção completa de um quilômetro de estrada rural é de R$ 15 mil.

Levando em consideração que quase toda a malha viária de Bauru está precisando de reparos, como atesta o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, seria necessário desembolsar aproximadamente R$ 7,5 milhões para deixar as estradas rurais em perfeitas condições de uso.

De acordo com o gerente da Codasp em Bauru, Heraldo Luiz Cezarino, o Estado de São Paulo possui 220 mil quilômetros de estradas de terra. De 5% a 12% desse total precisam de reparos.

Um artigo publicado pelo ex-presidente da empresa, Odônio dos Anjos Filho, no jornal O Estado de São Paulo, em 1998, dizia que, “além dos prejuízos diretos causados à população rural, essas estradas, mantidas de forma inadequada, são responsáveis por, no mínimo, 50% das erosões no Estado de São Paulo, trazendo sérios problemas ambientais, poluindo e assoreando os mananciais paulistas.”

Nesse mesmo texto, Anjos Filho relata que parte do problema está nas mãos dos produtores que margeiam as estradas. “Eles devem cumprir a sua responsabilidade, fazendo a conservação do solo da sua propriedade, não jogando água das chuvas nas estradas”.

A responsabilidade pela manutenção dessas estradas cabe às prefeituras. No entanto, como nem sempre a administração municipal possui recursos para dar o tratamento necessário às vias, impedindo a sua deterioração, o governo do Estado acabou abrindo alguns programas que visam auxiliar as prefeituras nessa tarefa.

Um deles é o denominado Melhor Caminho, que transfere aos municípios tecnologia para a conservação das estradas rurais. Esse método consiste não só na execução de obras, como também no treinamento de funcionários do município, para que eles aprendam a melhor maneira de fazer a manutenção da via rural.

“O programa idealizado pela Codasp, é executado segundo os últimos requisitos tecnológicos de conservação ambiental, adequados à conservação de estradas rurais”, diz o site.

Cezarino salienta que, em Bauru, foram realizados sete quilômetros de obras, parte na estrada de Rio Verde e outra parte, em Tibiriçá. “Em um deles foi feito o trabalho com cascalhos e, no outro, com estabilizantes. Os trechos foram totalmente corrigidos”, afirma.

Para este ano, ele diz que ainda não há nenhuma parceria prevista com o município. No entanto, o gerente salienta que, se houver verba, ela será aplicada nas estradas rurais.

Para Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru, esse programa é, de certa forma, demagogo. “O processo que eles realizam é o ideal, com bacia, com uma série de coisas, mas isto está muito longe das nossas necessidades”, afirma.

Para ele, a quantidade de quilômetros que recebeu o tratamento feito pelo Programa Melhor Caminho é muito pequena em relação ao tamanho das estradas rurais de Bauru. “Eles têm trechos feitos aqui em Bauru, muito bons por sinal, mas não atende toda a nossa demanda”, destaca.

Isso acontece porque o objetivo do programa não é o de consertar as estradas, mas sim ensinar a prefeitura qual a melhor maneira de fazer o serviço.

“O Estado dá esse programa para o município. Funciona como se fosse uma escola: os técnicos da Codasp ensinam como se adequar ao estado crítico das estradas e realizar o trabalho”, atesta Cynise Pereira Leite, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento.

Segundo cálculos feitos pela Codasp, para investir nos trechos que precisam de correção no Estado, seria necessário desembolsar até R$ 690 mil, o que cobriria apenas uma parte das estradas dos 647 municípios de São Paulo.

Heraldo Luiz Cezarino, gerente da Codasp, lembra que o custo é alto devido ao preço de todo o material utilizado para a correção das estradas. “O custo para a manutenção das vias subiu mais de 100% de cinco anos para cá”, explica.

Escolas

Com a volta às aulas, marcada para o dia 10 deste mês, Maurício Lima Verde Guimarães acredita que a situação deverá ficar mais crítica para os moradores da zona rural. “Não existe mais escola rural. Todas as crianças precisam vir para a cidade estudar e, com as condições atuais das estradas, temo pela vida delas”, ressalta.

Guimarães diz que esse problema não é “privilégio” apenas de Bauru. “O País inteiro é assim, mas é preciso fazer alguma coisa para melhorar”, destaca.