07 de julho de 2026
Polícia

Adolescente é transferido para Lins

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos menores que participou do motim e que de posse de uma arma branca fez reféns durante a rebelião deflagrada na noite de anteontem na unidade da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru foi transferido para Lins na tarde de ontem.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Febem. De acordo com ela, a solicitação partiu do próprio interno. Ele teria se indisposto com os colegas no decorrer do tumulto por ter ameaçado com uma naifa (um pedaço de metal afiado na ponta) aqueles que estavam em seu poder.

Na opinião do rapaz, que não teve a idade divulgada, e da diretoria da unidade local, ele não teria condições de permanecer com segurança em Bauru. A Polícia Militar (PM) se responsabilizou pela escolta durante sua transferência.

Segundo fontes da própria polícia, o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, autorizou a mudança de unidade ainda na noite de anteontem, pois o rapaz seria um dos agitadores da rebelião.

Também informaram que o único interno recapturado, dos nove que fugiram da unidade, disse que os funcionários facilitaram a fuga. O adolescente não quis falar com a equipe do JC.

Três servidores da Febem foram procurados pela reportagem para comentar a denúncia, mas se recusaram a prestar qualquer depoimento. Alegaram não dispor de autorização para falar com o jornal. Contudo, a assessoria de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa) refutou a acusação.

Para a entidade, que não havia recebido queixas por parte dos funcionários devido ao tumulto de anteontem, a afirmação do menor é uma inverdade. A entidade defende a impossibilidade dos servidores tomarem atitudes desta natureza e rechaça qualquer depoimento que coloque em dúvida a idoneidade daqueles que trabalham na Febem.

Novo registro

Na tarde de ontem, três funcionários da unidade de Bauru registraram um outro boletim de ocorrência na Delegacia de Infância e Juventude (Diju). O primeiro foi lavrado ainda na madrugada de ontem, após o encerramento do motim. Segundo o documento, eles foram vítimas de ameaça e agressão.

Consta na ocorrência que no domingo à noite, um dos funcionários estava no pátio da Febem, junto com outros dois colegas, para recolher os adolescentes, quando foi rendido por internos.

Um dos três conseguiu escapar e comunicou o ocorrido a outros funcionários. Em seguida, os menores teriam saído pelo pátio com as camisetas enroladas na cabeça e, ameaçando com ferros afiados, pediram para que a vítima e um outro colega se dirigissem sem reagir para o módulo 2, quarto 2. Os dois ficaram trancados no local por aproximadamente 2h30.

De acordo com o boletim, os adolescentes diziam em voz alta que a “bronca” não era com os trabalhadores, mas com outros menores. Porém, uma das vítimas permaneceu com uma naifa apontada contra seu abdome e teve o seu pescoço apertado pelos internos, que tinham como intenção assustar os demais.

Nesse meio tempo, um dos adolescentes acalmou os colegas, disse que não precisava machucá-los e mandou a vítima para o mesmo módulo 2. Posteriormente, os funcionários receberam ameaças de morte, até que se consumou a negociação e todos foram libertados.

Uma das vítimas ressalta que chegou a ficar sufocado com as “gravatas” que recebeu e que no momento que tentava negociar com os internos teve as costas golpeadas por socos e pauladas. Após o registro do boletim de ocorrência, os trabalhadores seriam encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde fariam exame de corpo de delito.