08 de julho de 2026
Política

Alerta aponta risco de perda da ponte

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A empresa Tofer Engenharia, Comércio e Indústria Ltda. alerta, em documento encaminhado à Prefeitura de Bauru, que a ponte Ayrton Senna deve ser recuperada por uma firma especializada em estruturas, “em caráter emergencial”, para evitar “perda total” da obra.

A orientação, sugerida em contra-notificação à administração, na qual a empresa reforça sua inocência no incidente das rachaduras dos pilares da ponte, foi anexada à representação do vereador Toninho Garmes (PSDB) ao Ministério Público já em fase de avaliação pelo promotor de Justiça de Defesa da Cidadania, Fernando Masseli Helene.

O caso pode ir parar nas mãos do juiz eleitoral Horácio Furquim Guanaes. A situação é encarada por Garmes como um possível estelionato eleitoral, já que a obra foi inaugurada pelo prefeito Nilson Costa (PPS) às vésperas da eleição municipal de outubro de 2000, que o reconduziu a mais um mandato de quatro anos no comando da cidade.

Para o parlamentar tucano, ao se ler o documento assinado pela Tofer se “extrai a conclusão” de que houve erro na elaboração, execução e fiscalização do projeto da ponte.

O vereador diz que a contra-notificação encaminhada à prefeitura esclarece que todas as indagações técnicas e fatos acontecidos no transcorrer das obras encontram-se registradas no livro diário de ocorrências, arquivado na Secretaria Municipal de Obras.

“Há também que se esclarecer detidamente essa firmação da empresa construtora - o que a mesma faz com todas as letras - de ter sido sugada em seu relacionamento com a administração e seus representantes”, pede o documento que encaminhou ao Ministério Público.

Para a direção da empresa, os termos contidos na contra-notificação são “descabidos e inoportunos”. O engenheiro civil Onei Torquato Ferreira, que assina o documento, pede à prefeitura que esclareça ao órgãos de imprensa “os fatos e acontecimentos reais” para evitar que a empresa seja submetida a “comentários desairosos” e “desonrosos”.

A contra-notificação também critica a atuação da Procuradoria do Município no caso. “O arrepio maior surpreende, uma infudada e descabida notificação, originar-se de uma Procuradoria Jurídica, que, por princípio, deveria primar pelo bom senso e obediência legal.”

“Atitude correta”

O chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, considerou como “atitude correta” a decisão do vereador Toninho Garmes de encaminhar a contra-notificação assinada pela Tofer ao Ministério Público.

“Estamos tranqüilos em relação a esse assunto. Vamos aguardar a manifestação do Ministério Público para prestarmos todos os esclarecimentos necessários sobre o projeto e a execução da obra”, avisa.

Ele diz que é um direito da empresa construtora se defender. “Nós já temos um laudo que atesta toda a situação da ponte feito pelo pessoal da Unesp. O problema é de execução e de responsabilidade da empresa”, reforça.

Marsola afirma que não procede a informação de que não foi respeitado o prazo para a cura do concreto. “Isso é mentira. Passaram-se mais de 150 dias para cumprir o prazo da cura. Só depois o restante da obra foi retomado”, garante.

O chefe de Gabinete diz que também não procede a denúncia de que o aterro prejudicou a cura do concreto. “A terraplenagem foi feita longe dos aterros. E só no momento adequado é que o aterro foi feito.”