08 de julho de 2026
Polícia

Noivo é seqüestrado antes de cerimônia

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Uma noite que tinha tudo para ser motivo de festa tornou-se um pesadelo para um casal de Bauru. Um noivo desapareceu no último sábado cerca de duas horas antes da cerimônia de casamento no religioso. A vítima foi seqüestrada por um trio de assaltantes, após ter saído do caixa eletrônico localizado na avenida Getúlio Vargas.

O casal, cujo nome está sendo preservado para evitar constragimento, já havia participado do casamento no civil pela manhã, no cartório da Vila Falcão. A cerimônia religiosa estava prevista para as 18h, e seria celebrada por um pastor em um salão de festas localizado no Jardim Solange.

Em depoimento prestado à polícia, a vítima, de 32 anos, relatou que, por volta das 15h30, foi até um caixa eletrônico na avenida Getúlio Vargas, com seu carro, um Monza placas GMY-6688, de Bauru. O noivo, que levava no porta-luvas a quantia de R$ 1.830,00, teria sacado do banco mais R$ 420,00 - dinheiro que seria utilizado com as despesas referentes à floricultura, festa e viagem de lua-de-mel, segundo a vítima.

Após sair do caixa eletrônico, o noivo teria entrado no veículo, momento em que foi abordado por dois homens, armados, sendo um deles de revólver e o outro de canivete. Um terceiro participante do crime teria parado de motocicleta atrás do veículo.

Os dois homens armados e encapuzados teriam entrado no carro e ordenado que a vítima permanecesse na direção, enquanto ambos foram para o banco traseiro. O noivo relatou à polícia que foi obrigado a dar várias voltas pela cidade.

Em seguida, foi orientado pelos assaltantes a se dirigir para Piratininga e no caminho, abastecer o carro em um posto de gasolina. Depois de algum tempo na cidade, os assaltantes teriam ordenado que o noivo voltasse para Bauru, através da rodovia Bauru-Ipaussu, e conduzisse o veículo em direção ao Condomínio Shangrilá. Por volta das 23h10, o trio obrigou a vítima a entrar em um matagal, onde permaneceu até o dia seguinte.

Segundo o noivo, no matagal, o trio o manteve preso a maior parte do tempo dentro do carro, de cabeça baixa. No final da tarde de domingo, eles teriam dito para a vítima que iriam embora e que ela não se mexesse, caso contrário morreria. Depois de 40 minutos, o noivo percebeu que não havia mais ninguém no local e fugiu com o carro. A vítima parou em um posto próximo para beber água, quando foi avistado por um conhecido, que acionou a família.

Os assaltantes não levaram o veículo e, segundo a vítima, fugiram com os R$ 2.250,00. De acordo com a a polícia, o noivo não sofreu ferimentos enquanto foi mantido como refém. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) está investigando o caso e até ontem não tinha pistas sobre os ladrões.

Cena de filme

Salão de festas, fotógrafo, vestido de noiva e lua-de-mel. Estava tudo pronto para a realização do casamento quando a adolescente de 17 anos recebeu a notícia do desaparecimento de seu noivo. “Eu fiquei traumatizada porque eu não sabia se ele tinha desistido do casamento ou se tinha acontecido alguma coisa com ele. Mas ao mesmo tempo eu pensava que, se ele não quisesse casar, ele não tinha ido no civil”, afirma.

No momento da notícia, a noiva estava no salão de cabeleireiro se aprontando para a cerimônia. “Na hora eu não sabia o que pensar, eu só queria achar uma explicação”. Ela conta que estava planejando a festa desde novembro e que havia distribuído ao todo 100 convites. “Todo mundo ficou pasmo porque a primeira impressão que dava é que ele tinha desistido”, relata.

O último contato que ela havia feito com seu noivo ocorreu por volta das 15h30 de sábado. A família preocupou-se com o desaparecimento e, por volta das 19h30, o pai da vítima conta que decidiu ir até à polícia, onde registrou um boletim de ocorrência. “Ficamos aguardando até a última hora. Deu seis e meia e ele não apareceu e a gente teve que correr atrás”.

Segundo o pai do noivo, o acontecimento foi chocante para toda a família. “Os convidados estavam todos esperando no salão. Era casamentinho de pobre, não era uma coisa de aparecimento não, mas foi a parentagem, os amigos da gente”, lamenta.

A noiva recorda o estado em que reencontrou o noivo depois do seqüestro. “Ele estava muito chocado, muito pálido porque no sábado ele não tinha comido nada e no domingo também não, nem água ele tomou nesses dois dias, então ele estava muito mal”, afirma.

A moça conta que viveu uma experiência traumatizante e que nunca havia imaginado que passaria por algo desse tipo. “Parece filme, nunca imaginei que isso ia acontecer comigo. É uma coisa muito dramática.”

Questionada sobre a possibilidade de outra cerimônia, ela desabafa. “ A gente está sem cabeça para pensar nisso”.

Para o noivo, que demonstra estar confuso com toda a tragédia, o susto ainda não passou. “Eu fiquei revoltado. A minha cabeça ainda está muito confusa”.