10 de julho de 2026
Regional

Paulistânia registra o primeiro homicídio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Paulistânia - A Polícia Civil de Paulistânia deve pedir hoje a prisão temporária do policial militar Adilson Bernardino da Luz, 32 anos. Ele é acusado de matar Marcelo Caetano, 32 anos, com quatro tiros na região do abdome, anteontem à noite, na Praça Santa Terezinha, na região central da cidade.

Segundo a polícia, esse foi o primeiro homicídio registrado na cidade em seus seis anos de existência. Enquanto distrito, o crime ficou “esquecido” durante 19 anos. Ou seja, Paulistânia não registra um assassinato há 25 anos, segundo a polícia.

O crime de anteontem aconteceu por volta das 22h e, segundo a polícia, foi em conseqüência de uma discussão que teve início em um pesqueiro, momentos antes, entre os envolvidos. A polícia não soube dizer quais foram os motivos da discussão.

Por estar em horário de folga, ou seja, o crime não foi praticado no exercício da profissão, o policial vai responder pelo crime na Justiça comum. Na esfera militar, o acusado deve ser submetido a procedimentos administrativos, cujo desfecho pode significar seu afastamento em definitivo da corporação.

De acordo com a Polícia Civil de Paulistânia, durante a discussão, em um pesqueiro da zona rural da cidade, a vítima teria “ofendido, humilhado e menosprezado” o policial publicamente.

Revoltado com a atitude de Caetano, o soldado deixou o pesqueiro, foi para casa, pegou uma arma e saiu à procura de seu desafeto. Ao encontrá-lo em uma praça, no Centro da cidade, aproximou-se e disparou quatro tiros à queima-roupa, atingindo a região do abdome e tórax.

A vítima foi socorrida por algumas pessoas que também estavam na praça, mas chegou sem vida ao Pronto-Socorro Central, em Bauru.

Depois de atirar contra Caetano, o policial fugiu levando a arma consigo. Até o fim da tarde de ontem, ele ainda não havia sido localizado pela polícia.

Por não poder mais ser preso em flagrante, deve ser pedida hoje a prisão temporária do acusado. Segundo policiais civis de Paulistânia, Luz trabalha como militar há pelo menos dez anos e nunca tinha apresentado uma reação tão violenta.

Em caso de condenação, o acusado pode receber uma pena que varia de dez a 25 anos de prisão, segundo o Código Penal.

Vítima

Caetano tinha contra si acusações de desacato à autoridade, pelas quais respondia a um Termo Circunstanciado, aberto recentemente. “Nada justifica o que o policial fez, mas ele (Caetano) era muito problemático”, disse o escrivão que pediu para ter a identidade preservada.

Mesmo solteiro, a vítima deixa uma filha de 8 anos, segundo a polícia.

O inquérito policial está praticamente concluído, segundo informou o escrivão. Só está faltando o laudo do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Técnica, além do depoimento de Adilson Luz, que está foragido. Todo o trabalho está sendo feito pelo delegado Antônio das Neves, que deve entrar hoje, no Fórum de Agudos, com pedido de prisão temporária do acusado.

De acordo com o tenente Alan Terra, comandante da 5.ª Companhia da Polícia Militar, com sede em Lençóis Paulista, caso o pedido do delegado seja aceito, o soldado Luz, quando preso, deve ser encaminhado ao presídio Romão Gomes, em São Paulo. O local é exclusivo para policiais militares infratores. Lá, o policial deve aguardar o julgamento.

Terra não lembra de nenhum outro caso recente envolvendo policiais militares em homicídios, na região da 5.ª companhia.

Além da sede e de Paulistânia, fazem parte da companhia as cidades de Agudos, Borebi, Cabrália Paulista, Lucianópolis, Duartina e Ubirajara.

Segundo o tenente-coronel José Alexandre Cintra Borin, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Bauru, responsável pelo trabalho da 5.ª Companhia, a instituição deve instaurar imediatamente um processo administrativo contra o policial de Paulistânia.

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Uma cidade tranqüila

O homicídio registrado anteontem, em Paulistânia, foi o primeiro dos últimos 25 anos, segundo informou a polícia. Entre os crimes mais comuns praticados na cidade estão lesões corporais.

O palco para esses crimes normalmente é o mesmo: a rua. Mas não em qualquer ponto da cidade, e sim próximo aos bares ou “botecos”, como alguns moradores preferem dizer.

A época mais propícia para essas desavenças, segundo a polícia, é quando existe algum baile na cidade. Normalmente, os jovens bebem “um pouco além da conta” e procuram extravasar as energias em lutas corporais.

Uso de armas de fogo ou armas brancas, como faca, também não é comum. Tráfico de entorpecentes, não existe na cidade, segundo a polícia.

Emancipada há seis anos, Paulistânia tem apenas quatro policiais, todos soldados, para oferecer segurança aos 1,7 mil moradores. Apesar do efetivo reduzido, eles garantem que dá para trabalhar “com tranqüilidade”.