O Ministério Público (MP) de Bauru desmembrou a análise sobre a denúncia envolvendo a interdição da ponte do Mary Dota (Ayrton Senna) em duas frentes. O promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, disse que o caso terá primeiro a manifestação da área eleitoral, onde será verificado se houve ou não crime na entrega da obra às vésperas da eleição municipal de 2000. Depois, o setor de cidadania vai se manifestar quanto à possível pedido de reparação de danos e ação de improbidade.
Masseli informa que discutiu o assunto previamente com o promotor eleitoral, Paulo Foganholi. Da conversa saiu o entendimento de que o caso merecia primeiro a manifestação do ponto de vista eleitoral. “Eu despachei o processo para que a promotoria eleitoral se manifestasse. Depois disso, a promotoria de cidadania vai analisar o mesmo processo sob os ângulos da reparação de danos e improbidade. Em sendo caso de denúncia, vamos realizar o procedimentoâ€, diz Masseli.
Antes, Foganholi deverá opinar sobre a acusação de que o atual prefeito teria tirado proveito eleitoral da obra. Após a interdição da obra, por motivos estruturais, a administração vem sendo acusada de não ter observado critérios técnicos para a execução do projeto.
A alegada pressa teria o objetivo de permitir que o prefeito tirasse benefício eleitoral do caso. Na época, Nilson Costa concorria à reeleição ao cargo. A posição da promotoria frente à precoce interdição da ponte, que tinha sido inaugurada no final de setembro de 2000, virá em razão de representação do vereador Antonio Carlos Garmes (PSDB).
Anteontem, o vereador complementou a denúncia com informações da empreiteira contratada para a obra (Tofer Engenharia). A empresa afirma que a prefeitura foi previamente informada sobre erros no projeto original mas, ainda assim, o alerta não foi levado em conta. A prefeitura contrapõe que não houve erro no acompanhamento das atividades e no projeto.
Mas a empresa Tofer Engenharia adverte, em documento encaminhado à Prefeitura de Bauru, que a ponte Ayrton Senna deve ser recuperada por uma empresa especializada em estruturas, “em caráter emergencialâ€, para evitar “perda total†da obra.
A orientação foi feita em forma de contra-notificação à administração datada do último dia 14. A empresa reforça sua inocência no incidente das rachaduras dos pilares da ponte. A prefeitura descarta qualquer responsabilidade na fiscalização das obras da ponte.