Uma parte das lideranças do PT de Bauru apóia a decisão da direção nacional do partido de advertir publicamente a senadora Heloísa Helena (PT-AL), integrante da corrente “Democracia Socialista†(moderada). A senadora alagoana foi contra a indicação do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, mas escapou do constrangimento de uma repreensão pública.
Mas o presidente da executiva nacional do PT, José Genoíno, decidiu endurecer com Heloísa depois que ela faltou à sessão do Senado que elegeu José Sarney (PMDB-AP) à presidência da Casa. O PT apoiou a indicação de Sarney para garantir apoio do PMDB ao governo.
“A aplicação da advertência pública foi mais do que corretaâ€, avalia a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro. A petista pertence a corrente “Articulação†(light), a mesma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Genoíno. Para ela, Genoíno demonstrou um jogo de cintura “excessivo†no episódio da indicação do presidente do BC.
“O ministro Palocci (Antônio Palocci, da Fazenda) foi muito feliz quando disse que enganam-se aqueles que pensaram que o PT fez um discurso no palaque e se comportaria de maneira diferente no governoâ€, comenta.
Estela reforça que no partido “a maioria†decide. “O acordo com o PMDB é extremamente importante para a governabilidade. Não é compreensível que uma liderança do partido faça esse tipo de chantagem. Isso é holofote. Tem que ser repreendida exemplarmente.â€
A presidente da executiva municipal petista lembra que o regimento interno é claro em relação ao cumprimento das decisões das bancadas parlamentares. “Decidiu, está decidido. A punição deve ser aplicada. Se não for assim, vira casa da mãe Joanaâ€, analisa.
Reincidência
O vereador José Carlos Batata (PT), também integrante da “Articulaçãoâ€, divide a mesma opinião de Estela. Ele lembra que além de ter se posicionado contra a indicação de Meirelles aos BC e de não ter comparecido à eleição de Sarney para a presidência do Senado, Heloísa também criou problemas na coligação do PT com o PL em Alagoas.
“Ela já havia, lá atrás, tomado uma série de atitudes que contrariavam a direção nacional. A Heloísa tem publicamente desafiado a direção nacional. A repreensão pública chega num momento para fazer com que as coisas se assentem de uma vezâ€, diz.
O sindicalista Jesus Garcia, ligado informalmente ao grupo “Articulaçãoâ€, avalia que os assuntos, depois de discutidos pela direção nacional e pela bancada parlamentar, geram um posicionamento que deve ser seguido pelos demais integrantes do partido.
“Essa é a prática democrática do PT. Para as pessoas que se posicionam ao contrário das decissões, aplica-se o estatuto. Caso contrário, pode virar bagunçaâ€.
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Para Roque Ferreira, senadora alagoana agiu com a consciência
O sindicalista Roque Ferreira, integrante da corrente “O Trabalhoâ€, avalia que a senadora Heloísa Helena (PT-AL) agiu com a consciência ao não referendar os nomes de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central e de José Sarney (PMDB-AP) para o Senado. “Nós nos associamos a ela também nesse sentido.â€
O petista explica que o estatuto do PT “salvaguarda†o direito ao filiado que ocupa mandato parlamentar declinar de apoiar uma decisão quando ela fere sua consciência, desde que vinculada a uma questão de princípios.
“Particularmente, considero que a cúpula dirigente do PT encontrará dificuldades. As atitudes do governo demonstram para onde o governo caminhaâ€, avalia.
O sindicalista lembra que os milhões de brasileiros que votaram no partido estão aguardando mudanças estruturais no País.
“Para responder a essa demanda da população, será preciso dar passos. Isso não será possível mantendo a ortodoxia da política econômica ditada pelo governo do Fernando Henrique Cardoso, que é o que está enunciado até agoraâ€, analisa.
Para o sindicalista, a repreensão anunciada é uma “atitude de força†que representa uma ameaça. “Os dirigentes do PT terão que avaliar essa prática. Eles não são proprietários da história do partido, e sim usuários. Centenas de militantes sem expressão pública ajudaram a construir essa visibilidade pública.â€