10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Álcool aumenta 20% e vai a R$ 1,59 nos postos de Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

O preço médio do litro do álcool hidratado nos postos de Bauru atingiu R$ 1,59, cifra 20% mais alta do que o valor verificado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) na cidade durante o mês passado: R$ 1,325. O reajuste do álcool, anunciado no último fim de semana, veio na esteira do aumento da gasolina e surpreendeu até donos de posto. E este é só o começo.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetro) de Bauru, Sebastião Homero Gomes, o litro do álcool em Bauru pode chegar a R$ 1,79. Isso porque as distribuidoras estão vendendo o produto a até R$ 1,49 para os postos. Para a ANP, a margem de faturamento “aceitável” para os postos é de R$ 0,30 por litro de álcool.

Homero afirma que está “assustado” com um reajuste tão elevado. Segundo ele, fontes ligadas ao setor de combustíveis afirmam que os usineiros estariam “sonegando estoque” para elevar os preços diante de uma possível escassez do produto. “Eu estou realmente assustado com os usineiros”, diz o presidente do Sincopetro.

O empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de postos de combustível em Bauru, também declara estar “assustado” com o reajuste no álcool. “Está um negócio impressionante, não dá para acreditar”, diz. Segundo ele, o produto deverá subir ainda mais nos próximos dias, quando terminar o estoque dos postos.

Tuschi relata que o preço do litro do álcool nas distribuidoras varia de R$ 1,36 a R$ 1,49. Na semana passada, o custo do produto variava de R$ 1,18 a R$ 1,24. Mesmo em companhias pequenas - que praticam preços mais baixos - o litro do álcool passou de R$ 1,07 na segunda-feira para mais de R$ 1,29.

Hoje, representantes do setor sucroalcooleiro terão uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que deverá pedir “explicações” sobre a elevação do valor álcool. Para Tuschi, os usineiros poderão alegar que estão seguindo a mesma cartilha da Petrobras em relação à gasolina, ou seja, rentabilidade em dólar.

De acordo com levantamento mensal da ANP, em janeiro do ano passado o litro do álcool em Bauru custava R$ 0,857, valor 54% inferior aos R$ 1,325 registrado no mês passado. Em dezembro, o litro do produto custava, em média, R$ 1,193 na cidade - 11% a menos do que o álcool na bomba em janeiro deste ano.

Teor

A alta do álcool nesta semana ocorreu devido à decisão do Ministério da Agricultura de reduzir o teor de álcool anidro na gasolina de 25% para 20%, a pedido dos usineiros. Em contrapartida, o governo teria exigido que o preço do litro do álcool não representasse mais do que 60% do preço da gasolina - o que não vem ocorrendo.

Ontem, a reportagem tentou entrar em contato com a diretoria das duas maiores usinas de açúcar e álcool da região. Na pertencente ao grupo Zillo-Lorenzetti, de Lençóis Paulista, ninguém foi localizado para comentar o assunto. A assessoria de imprensa da Usina da Barra, de Barra Bonita, informou que a União da Agroindústria Canavieira (Unica) é que poderia comentar o assunto.

Na terça-feira, o conselheiro da Unica João Carlos Figueiredo Ferraz havia declarado que houve “descontrole” no repasse de preços às distribuidoras.

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Conversão do motor

Proprietários de carros têm optado pela transformação de motores a gasolina para álcool. O mecânico de automóveis Odair José Ferre diz que a mudança do motor faz o carro consumir 30% a mais de combustível, valendo a pena somente pela diferença de preço. A conversão custa cerca de R$ 350,00.

“Não tenho aconselhado meus clientes a fazer a alteração do motor. Além da diferença de preço, que diminuiu, problemas com o motor podem ocorrer”. O mecânico explica que a bomba de combustível do veículo pode queimar e fazer o cliente gastar de R$ 150,00 a R$ 1.000,00 com o conserto.

Ferre, que possui um carro a álcool, afirma que até a semana passada gastava R$ 70,00 para encher o tanque de 55 litros de seu veículo. Com a estimativa de que o valor possa chegar a R$ 1,79, ele vai gastar R$ 98,45. “Para mim ainda vale a pena porque percorro grandes distâncias. Mas acredito que para quem anda pouco é melhor continuar com carros a gasolina”, destaca.