O vigilante Sérgio Vicente de Oliveira, 32 anos, que alegou ter sido seqüestrado no último sábado, antes da cerimônia do seu casamento, foi encontrado morto anteontem à noite. O corpo foi localizado em um matagal próximo a uma estrada de terra que dá acesso a uma chácara, no Jardim Vitória. A morte está cercada de mistério, em função dos fatos que a antecederam. A polícia evita emitir qualquer opinião antes de aprofundar as investigações.
Uma homem comunicou à polícia que viu uma pessoa enforcada próxima à estrada, que tem início na quadra 37 da avenida Castelo Branco.
No local ermo, no acesso a uma trilha que parte da estrada, havia no chão as inscrições “estou aquiâ€, em letras de fôrma.
Em seguida, setas desenhadas no chão indicavam uma entrada no matagal. O corpo foi achado 50 metros adiante. Uma corda branca amarrava o pescoço da vítima ao galho de uma árvore.
No bolso da bermuda bege que o vigilante vestia havia um cartão telefônico, uma nota de R$ 1,00 e um pedaço de papel com dois números de telefone anotados.
A vítima também tinha no dedo a aliança em que estava gravado o nome da esposa e a data recente do casamento - 1.º de fevereiro.
O exame necroscópico foi solicitado e, durante a madrugada, dois irmãos e a esposa reconheceram o corpo no Instituto Médico Legal (IML).
A esposa declarou à polícia que o último contato com o vigilante havia sido feito na tarde anterior. Oliveira telefonou de um posto de combustível do Parque Sabiá, próximo à residência do casal. Ele disse que estava indo para casa e que faria de tudo para fazê-la feliz.
Posteriormente, um frentista informou que a vítima deixou o carro no posto e saiu na garupa de uma moto, por volta das 16h30.
Mistério
Um tio do vigilante disse à equipe do JC que na tarde de terça-feira ele relatou que estava sendo perseguido. “Ele chegou à bicicletaria do meu irmão de carro e disse que não estava nada bem porque estavam atrás deleâ€, afirma.
A família do rapaz acredita que não houve suicídio. Para eles, as mesmas pessoas que o teriam seqüestrado no sábado são as autoras do homicídio. “Foi queima de arquivoâ€, conclui o tio.
O parente acrescenta que pessoas que passaram pela estrada de terra no momento do crime ouviram gritos. “Se teve gritos, certamente ele não se matouâ€, argumenta. Irmãos do vigilante informaram que ele não tinha rixas com ninguém e que era uma pessoa tranqüila. “Ele era uma pessoa livreâ€, diz o irmão.
A vítima tem um filho de 4 anos de um relacionamento anterior. No depoimento que deu ao JC um dia após ser libertado do suposto seqüestro, ele disse que teve a impressão de que alguém estava “armando†alguma coisa para que o casamento não acontecesse.
A esposa e a família dela recusaram-se a dar declarações. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais/ Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra). O titular da unidade, J.J. Cardia, preferiu não manifestar-se sobre o caso. Ele apenas enfatizou que a morte está sendo investigada.
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O relato
O vigilante Sérgio Vicente de Oliveira relatou que por volta das 15h30 do sábado ele foi de carro até um caixa eletrônico da avenida Getúlio Vargas. Ele levava no porta-luvas a quantia de R$ 1.830,00 e teria sacado do banco mais R$ 420,00. O dinheiro seria utilizado para as despesas referentes à festa e à viagem de lua-de-mel.
De acordo com Oliveira, ao entrar no carro, foi abordado por dois homens armados e encapuzados, que entraram no carro. Ele teria sido obrigado a dar voltas pela cidade e sido orientada a dirigir rumo a Piratininga.
Por volta das 23h30, os assaltantes obrigaram o vigilante a voltar a Bauru e entrar num matagal, onde ele permaneceu até o dia seguinte preso e de cabeça baixa, conforme o depoimento prestado à polícia.
Os seqüestradores, segundo Oliveira, fugiram na tarde do domingo e o vigilante saiu com o carro cerca de 40 minutos depois. O veículo não foi roubado, mas os ladrões teriam levado os R$ 2.250,00.
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Cerimônia religiosa foi suspensa
Após cerca de um ano de namoro, o casamento com a garota de 16 anos foi marcado para o dia 1.º de fevereiro deste ano. O noivo, entretanto, desapareceu cerca de duas horas antes da cerimônia religiosa.
O salão em que seria realizada a festa, no Jardim Solange, havia sido reservado pelo vigilante cerca de um mês antes da data. No dia anterior ao casamento, segundo relatou um funcionário so salão, o noivo passou no local para certificar-se de que estava tudo certo para receber os profissionais responsáveis pela decoração, além da refeição.
“Ele estava superempolgado para a festa. Não parecia que tinha nada de erradoâ€, diz a funcionária que o recebeu no salão, na sexta-feira passada. Na manhã de sábado foi realizada a cerimônia civil do casamento.
No salão, ninguém apareceu. “O pessoal da padaria entregou dois sacos de pão e o pai da noiva apareceu no final da tarde para deixar os refrigerantesâ€, conta a funcionária.
“Quando os primeiros convidados chegaram, às 17h30, não estava nada pronto. A gente já viu muita festa, mas esta estava esquisita. A noiva nem apareceu aqui. Nem ela nem a família dela vieram antes para ver o salãoâ€, acrescenta a mulher, que pediu para se manter no anonimato.
Uma das primeiras convidadas a chegar para a cerimônia religiosa viu o estado do salão e achou tudo bastante estranho porque o local da festa não havia sido preparado.
Poucas horas antes da festa, a noiva recebeu a notícia do desaparecimento do noivo. A família registrou um boletim de ocorrência, mas ele apareceu apenas no dia seguinte.