09 de julho de 2026
Geral

Ações de limpeza não dão tranqüilidade a moradores

Thaís da Silveira e Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Moradores do Jardim Tangarás, região atingida pela contaminação por chumbo, temem que o setor metalúrgico da Ajax volte a funcionar sem adequações necessárias e antes da recuperação ambiental da área contaminada.

“Eles deveriam recuperar a área contaminada. A nossa área ficou desvalorizada. Se eles voltarem a trabalhar sem fiscalização, vai complicar e desvalorizar mais ainda”, afirma Zaqueu Vieira da Silva.

Na opinião do morador, a população deve receber esclarecimentos sobre a volta das atividades do setor metalúrgico e sobre o processo de descontaminação dos bairros atingidos.

“Só seria bom pelo emprego das pessoas. Mas temos que ter uma garantia de que eles não voltam a trabalhar com chumbo. Ele têm que cumprir o que prometeram e recuperar a área. Se eles apenas abrirem e voltarem a trabalhar, vai provocar revolta”, enfatiza Zaqueu.

Olívio Jacinto, morador do Tangarás, frisa que o plástico também pode causar poluição ambiental. “A gente fica sim preocupado se o plástico vai trazer problemas e com a possibilidade de voltar a funcionar com chumbo”, diz.

A professora Vera Lúcia Andrade de Oliveira, outra moradora do bairro, concorda que a mudança de material, de chumbo para plástico, não alivia a preocupação. “O bairro já está contaminado e esse serviço que fizeram, de raspagem de ruas e quintais e aspiração de pó, é apenas paliativo. A nossa preocupação continua”, afirma.

Para ela, apesar do serviço de limpeza realizado, há muita terra contaminada. “Rasparam uma camada fina de terra das ruas, mas têm muitos terrenos baldios que não foram mexidos. A única solução seria a pavimentação”, diz.

“Moro em uma chácara que tem um jardim de 600 metros quadrados gramado e um quintal também com 600 metros quadrados com brita. Mas mesmo assim a gente fica preocupada porque a terra não foi retirada”, completa.

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Para Vidágua, plástico também é nocivo

Embora seja menos impactante que o chumbo, o processo de recuperação industrial de plástico também é nocivo ao meio ambiente. A informação é do secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli de Marche.

“Não deixa de ser impactante porque é um derivado do petróleo”, diz Ivan. Ele afirma que caso a unidade de recuperação de plástico da Fábrica de Baterias Ajax volte a operar, ela também deverá atender a exigências para evitar nova contaminação da região e da população que vive nos arredores da empresa.

“Tem que haver manutenção e equipamento próprio. É necessário adequar as máquinas”, explica o ambientalista. Caso a unidade seja reaberta, na opinião de Ivan, o ideal é que ela retome as atividades já respeitando as normas ambientais. “Não vai deixar de ser degradador”, enfatiza o secretário executivo do Vidágua.