09 de julho de 2026
Esportes

Magoado, técnico Vítor Hugo faz crítica

David Cintra
| Tempo de leitura: 5 min

O ex-técnico do Noroeste, Vítor Hugo, foi demitido pelo clube no início desta semana após a derrota da equipe diante do Jaboticabal, por 3 a 0, no domingo. Apesar de admitir que os maus resultados foram um dos motivos que levaram à sua demissão, o treinador procurou a reportagem do Jornal da Cidade para falar sobre alguns pontos que, segundo ele, ficaram obscuros.

O treinador não poupou o gerente de futebol Celso Zinsly e o técnico Marco Antõnio Machado. Segundo Vítor Hugo, ao justificar sua demissão como se alguns jogadores tivessem pedido mudanças, Zinsly apenas esquivou-se da responsabilidade. E o treinador atual foi acusado de falta de ética profissional. Confira a seguir detalhes da entrevista do ex-treinador.

JC - A sua demissão do Noroeste foi justificada não só pelos resultados negativos do time neste início de campeonato, mas também pela pressão que você estaria sofrendo. Você concorda? Vítor Hugo - Primeiro, claro que os resultados influenciaram, porque se eu tivesse obtido três vitórias em três jogos obviamente que nada disso teria acontecido. Mas eu acredito que o fato de eu não deixar o gerente de futebol, o Celso Zinsly, interferir no meu trabalho também colaborou para que minha demissão ocorresse.

JC - Você teve um problema com o Marco Antônio Machado (técnico que assumiu no lugar de Vítor Hugo), no ano passado, quando estava no Sertãozinho. Você acha que ele teve alguma coisa a ver com sua demissão? VH - Já é a segunda vez que acontece este procedimento do Marco Antônio. A primeira foi no Sertãozinho, inclusive saiu uma matéria no Futebol Interior (site da Internet especializado no futebol paulista) entitulada “A falta de ética no futebol”. O que aconteceu é que eu era treinador do Sertãozinho e vim jogar em Bauru e ele, sabendo que eu estava a perigo de cair, se adiantou e começou a fazer os contatos com a diretoria do Sertãozinho. Nós perdemos o jogo em Bauru e eu realmente fui demitido. Mas no jogo já estava lá o “sêo” Marco Antônio anotando tudo sobre o Sertãozinho. Agora no Noroeste eu sei que ele acompanhou todos os jogos do time, inclusive em Jaú. Para mim isto é sinal de que ele já tinha armado alguma coisa.

Então, realmente, eu acredito que falta um pouco de ética para o Marco Antônio, porque eu quando estou desempregado fico na minha casa, esperando alguém me ligar para me oferecer um emprego. Eu particularmente acho isso falta de respeito com o companheiro que está lá trabalhando.

JC - Como você ficou sabendo de sua demissão? VH - O Damião Garcia (vice de futebol) ligou na minha casa, na segunda-feira, por volta do meio-dia me dispensando. Nós havíamos combinado que eu ficaria no clube por um ano. A intenção no momento não era disputar o acesso. É claro que se você entra numa competição como a Série A3 à frente de um time como o Noroeste, sabe que tem que buscar isso (o acesso) porque a cobrança é muito grande. Contratamos dez jogadores, reforçamos a equipe, só que não tivemos tempo para trabalhar. Fizemos apenas uma pré-temporada de dez dias (em Bariri).

JC - Você atribui a má campanha do time até aqui a esta mudança de plano? VH - Ficamos muito tempo envolvidos na Taça São Paulo (de Juniores) e deixamos um pouco o profissional de lado. Acho que ter aceitado isso foi o maior erro de minha parte, porque se eu tivesse trabalhado somente no profissional, com certeza teria feito um trabalho diferente, com um tempo maior. Mas devido ao que combinamos eu aceitei. Muitas vezes não é só o resultado que derruba o treinador e sim a maneira como o treinador trabalha, que não agrada a certas pessoas dentro do clube. E o que aconteceu aqui é que eu não consegui agradar o Celso Zinsly. Ele queria colocar jogadores que eu achava que no momento não teriam condições de jogar, este foi o maior problema.

JC - Quais jogadores foram esses? VH - Eu prefiro não citar os nomes, porque nesse momento não convém, mas ele (Celso Zinsly) sabe. Eu saio de cabeça tranqüila. Infelizmente. não conseguimos resultados, mas não foi por falta de trabalho e nem de honestidade.

JC - E quanto à diretoria, você está magoado? VH - Eu só queria agradecer o sêo Damião, o Toninho Gimenez, o Érico Braga, ao Kiko da Flag o apoio e a oportunidade que me deram. Infelizmente eu não tive muito tempo e saio chateado de não poder ter retribuído este apoio que me deram, esta esperança de conseguir reerguer o Noroeste. Só acho que eles tomaram a decisão de me demitir influenciados pelo Celso Zinsly e não por eles mesmos. Acho que eles (os direotres) são pessoas bem intencionadas, querem fazer o melhor pelo Noroeste. Só que eles têm que ter cuidado com quem colocam para administrar o clube. O que está acontecendo no Noroeste não é nada agradável e não vai ter um final feliz.

JC - E os jogadores? Você conversou com eles? VH - Sim, conversei com alguns jogadores. Eles estão chateados, mas sabem que o futebol é assim mesmo e a vida segue. Eles têm que seguir a vida deles, fazer o trabalho dentro do Noroeste, afinal é o clube que paga salário a eles. Se eles não concordam com alguma coisa vão ter que passar por cima desenvolver o trabalho tranqüilamente.

JC - Você acha que tem algo de pessoal contra você no Noroeste? Não seria apenas contra o seu trabalho? VH - O Celso não tinha motivo para agir dessa maneira, principalmente comigo. Quem colocou o Celso dentro do Noroeste, na primeira vez, em 1997, fui eu. E hoje ele faz esse tipo de coisa. Mas eu tenho minha consciência tranqüila que fiz o meu melhor. Posso não ter feito do jeito certo, mas procurei fazer o melhor. Saio com a consciência muito tranqüila.