O servidor aposentado Jorge Francisco Leal, 63 anos, foi esfaqueado e morto por dois ladrões que invadiram sua casa, no Parque Primavera, em Bauru anteontem à noite. A esposa e o cunhado do aposentado também foram feridos, mas passam bem.
Este é o segundo caso de latrocínio registrado em Bauru neste ano (leia mais ao lado). Os ladrões fugiram levando R$ 80,00 da aposentadoria do cunhado da vítima e algumas bijuterias.
Até o final da tarde de ontem, a polícia não tinha pistas dos assaltantes. O latrocínio revoltou parentes e vizinhos da família Leal, que trabalhava catando papel nas ruas para complementar renda.
Ontem à tarde, no enterro, Lázara Moisés Costa Leal, 64 anos, esposa do aposentado, ainda com um dos braços enfaixado devido ao golpe de faca que sofreu, contou que seu marido apenas tentou defender-se. “Ele colocou uma escada na frente do corpo e o ladrão, que estava com uma faca daquelas usadas em açougue, furou eleâ€, relata.
O sapateiro Pedro Francisco Leal, 62 anos, irmão do aposentado, não consegue entender o motivo do crime. “Meu irmão morava há mais de 50 anos nesta região e gostava de todo mundo, das crianças. Ele acolhia quem precisava, tomava café na casa de todo mundoâ€, diz.
Para Pedro, os ladrões, que estavam encapuzados, tinham informações sobre as vítimas. “Acho que pode ter até gente ligada à família envolvidaâ€, diz. Os assaltantes, segundo Lázara, pediam dinheiro a todo momento.
Os vizinhos da família Leal, que socorreram as vítimas, também não entendem o motivo de tamanha violência. Simone Danila Cândida conta que foi acordada com os gritos de Lázara, que estava ferida e pedia ajuda para socorrer o marido e o irmão.
“Quando entramos na casa, ele (o aposentado) estava desmaiadoâ€, conta. A vizinha diz que a família é querida no bairro. â€œÉ uma barbaridade. Mataram um, machucaram os outros dois e deixaram a casa revidadaâ€, relata. A vizinha acha que os ladrões estavam atrás do dinheiro da aposentadoria dos moradores.
Leal foi esfaqueado do lado direito do peito. As três vítimas foram conduzidas ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central, mas o aposentado chegou à unidade já sem vida.
____________________
2º latrocínio
Após um ano sem registros de latrocínio (roubo seguido de morte) em Bauru, de acordo com a Polícia Civil, a cidade começa 2003 com dois registros do crime. No dia 3 de janeiro, Julia Marcelino de Oliveira, 80 anos, morreu no Hospital de Base (HB) após ser roubada e espancada, na Vila Falcão.
Os ladrões levaram bens e cerca de R$ 400,00 em dinheiro. No dia 13 do mesmo mês, o acusado de latrocínio, José Adelar dos Santos, 37 anos, foi preso pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Ele estava hospedando-se em um hotel no Centro de Bauru desde o dia 26 de dezembro, data em que a idosa foi espancada. Santos negou a autoria do crime, mas não ofereceu resistência à prisão.
Apesar dos dois casos, a polícia considera que os crimes de latrocínio em Bauru não estão fora de controle. “O latrocínio é um dos crimes mais graves que existe porque a pessoa rouba para matar. Estamos trabalhando bastante para esclarecer o caso, mas não está nada fora de controleâ€, diz o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra).
O delegado afirma que as pessoas não devem reagir em caso de roubo. “O efeito surpresa está contra a vítima e ela não deve reagir. Depois, a polícia prende os autores e muitas vezes os objetos roubados são recuperadosâ€, orienta o delegado.
____________________
Cunhado tentou esconder dinheiro
Os dois ladrões encapuzados que invadiram a casa da família Leal queriam dinheiro. Apesar de ter levado dois golpes de faca - no braço e na barriga - superficiais ao ser surpreendido pelos assaltantes, José Moisés da Costa, 73 anos, cunhado do aposentado morto, chegou a esconder o dinheiro que possuía.
Jornal da Cidade - Como foi o assalto? José Moisés da Costa - Eu estava sentado na porta da casa quando fui surpreendido por dois homens com capuz.
JC - Eles anunciaram o assalto? Costa - Não, de cara eles já enfiaram a faca em mim. A sorte é que pegou de raspão. Quando ardeu, eu sai fora e aí eles entraram e disseram que queriam dinheiro e jóias e foram para cima do meu cunhado e da minha irmã.
JC - Os dois estavam armados? Costa - Um tinha uma faca grande. O outro colocava a mão debaixo da camisa, como se estivesse armado. Eles ameaçam matar a gente.
JC - Seu cunhado reagiu? Costa - Não, ele pegou uma escada para se defender. Mas não teve destreza e foi esfaqueado.
JC - E o dinheiro, onde estava? Costa - Quando eles pediram dinheiro, eu peguei os R$ 80,00 que tinha no bolso e pus debaixo do sofá. Eles reviraram tudo e acharam. Era dinheiro da aposentadoria do mês passado.