Merecedor dos melhores encômios o brado de Lula alertando para a fome mundial. O problema não é novo. Antes de Cristo a fome já campeava por todos os setores terráqueos. A desigualdade marcante da época fez com que Cristo se insurgisse contra os potentados. Algum resultado se obteve, mas o flagelo da fome existiu e provavelmente sempre existirá. O professor Josué de Castro (“Geografia da Fome†e “Geopolítica da Fomeâ€) bem demonstrou em suas obras, filosóficas e científicas, a realidade da fome em nosso País. Erradicar a fome é difícil e árdua tarefa. Com esta finalidade tivemos a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Russa (1917). Da primeira nasceu a semente do Contrato Social, de Jean Jacques Rousseau, e da segunda, com as idéias de Max, pretendeu-se instalar uma ditadura do proletariado. Ambas deram suas contribuições para a história.
Mas a fome propriamente dita sempre ficou às escondidas, como se fosse uma doença pegajosa que poderia proliferar nas castas mais abastadas. O Contrato Social, entretanto, demonstrou a necessidade de uma melhor distribuição de renda, um suprimento das necessidades humanas com maior eficiência, o que não é fácil, mas com o grito de Lula em Davos pode haver uma conscientização mais profunda do problema. É importante a criação de mecanismos produtores de riquezas com imediato aproveitamento da mão-de-obra. Sem trabalho não se erradica a fome. A FAO pesquisa os problemas sobre o estado mundial da agricultura e alimentação, e anualmente demonstra os dados em seus relatórios. O trabalho, como mola propulsora da alimentação mundial, sofre grande defasagem, perdendo para a concorrência tecnológica da cibernética, cuja evolução constante solapa a mão-de-obra operária, tornando o trabalhador um faminto em potencial. É preciso muita ousadia para vencer o problema. Sem dúvida a agricultura é um fator primordial com distribuição de terras. A indústria da construção civil é outro setor que pode agasalhar a mão-de-obra menos qualificada. O grande desideratum é o trabalhador qualificado substituído pela informática, cujo incentivo ao trabalho demanda uma engenharia de recursos humanos mais dinâmica, eficiente e imediata, já que, a cada dia, mais e mais somos absorvidos pela robótica. Parece-me importante lembrar, finalmente, que a transparência da verdade deve ser dita, como o fez Lula, doa a quem doer, expurgando a miséria como chaga cancerosa que se alastra na exata proporção da evolução tecno-científica, onde o homem é esquecido e colocado em segundo plano.
Vamos lutar para que se encontre um caminho. Oxalá Deus nos proteja nesta caminhada. (Itamir Crivelli – OAB 20.911)