08 de julho de 2026
Política

Núcleo gera disputa de "paternidade"

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Moradores do Núcleo Édson Gasparini e a Prefeitura de Bauru estão disputando a “paternidade” da ampliação do núcleo de saúde do bairro, que deve ser concluída no próximo mês.

Os 126 metros quadrados que foram edificados e que resultaram numa nova sala de inalação, outra de pós consulta, além de um almoxarifado, de outro consultório, sala de reuniões, sala de chefia, sala para curativos e de dois sanitários só foram conquistados através da reivindicação popular.

Até aí, alguns moradores do bairro e prefeitura concordam, mas divergem quando o assunto é quem colaborou mais. Para o ex-vice-presidente da associação de moradores do bairro e postulante ao mesmo cargo nas próximas eleições, previstas para abril, José Hunaldo Santos, a administração municipal só financiou a obra na fase de acabamento.

“Conseguimos 7 mil tijolos, 180 sacas de cimento, 110 sacas de cal, piso e ferro, por intermédio da colaboração popular. Não é justo agora o prefeito assumir tudo sozinho, como tem feito”, queixa-se.

Ele garante que não está levantando a questão porque o novo pleito se avizinha, mas porque se esforçou para levantar as 2 mil assinaturas que foram encaminhadas à prefeitura em 1998 solicitando a reforma e para angariar o material de construção obtido no ano seguinte.

Escassez

A diretora do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde, Jaíra Kirchner, confirma a parceria com a entidade, mas informa que, como o material disponibilizado pela associação de moradores era escasso, a administração municipal precisou assumir a obra.

“O trabalho demorou porque, como a construção não estava prevista no orçamento do município em 2000, época em que a obra foi iniciada, tivemos de paralisá-la. A ampliação só foi retomada no ano seguinte. O terreno foi doado pela associação” enfatiza.

Ela e os ex-membros da associação não souberam informar o custo da obra, mas uma fonte ligada à engenharia civil consultada pelo JC especula que ela tenha custado cerca de R$ 20 mil.

Com o material indicado por Santos, a mesma fonte informou que, dependendo do tamanho das salas, seria possível construir dez cômodos de alvenaria, desde que outros materiais imprescindíveis na construção civil estivessem garantidos.

O eletricista Osmar Carlos de Oliveira, por exemplo, doou cerca de R$ 200,00 em tijolos, cimento e cal para bancar a ampliação do posto.

“O que puder fazer para ajudar, faço. Minha família freqüenta o núcleo. Eu não porque não tenho paciência para esperar. O atendimento é ruim”, queixa-se.

Atualmente, o local, que já contava com dois consultórios, uma cozinha, dois banheiros, uma sala de odontologia, uma de vacina, uma de coleta de exame e a recepção, atende aproximadamente 1.800 pessoas por mês.

Porém, como dois outros médicos devem ser deslocados para lá após o término da ampliação, o número de atendimentos deve aumentar mais uns 20%, informa Kirchner. Ela ainda ressalta que a parte antiga do prédio também receberá pintura e pisos novos.