Quem vai agüentar? O oportunismo fez com que o álcool deixasse de ser a única alternativa barata de combustível, um desrespeito total. Neste ano, o governo federal reduziu a porcentagem de álcool na gasolina de 25% para 20% com o objetivo de economizar, pois a especulação no mercado era de que o combustível iria faltar. Outra medida tomada, só que dessa vez pelos usineiros, foi a antecipação do início da safra 2003, tudo para não deixar faltar a opção mais barata de combustível automotivo.
Sem qualquer explicação, o álcool acabou subindo cerca de 40% nas bombas dos postos em todo País. Há um acordo entre usineiros e governo federal onde o combustível não poderia exceder a porcentagem de 60% do preço da gasolina, mas esse patamar já está muito mais do que isso. Quais explicações temos, então? Se o preço do álcool está chegando ao preço da gasolina, onde está a vantagem? Nosso País é um dos maiores produtores do mundo, é um combustível totalmente nacional, várias cidades da região e do Estado têm voltadas suas economias nas usinas que produzem o combustível. Como podemos deixar faltar no mercado? A explicação é simples para todas essas perguntas. É a chamada “lei da oferta e procuraâ€.
Com o preço do álcool mais barato, muitos motoristas converteram os motores, ocasionando um aumento na procura. Os donos de usinas descobriram, então, que o negócio era faturar ainda mais, e por saberem que todos estavam procurando essa alternativa mais barata de combustível, começaram a controlar os estoques, provocando uma suposta falta. Sem qualquer respeito com as distribuidoras, postos e, principalmente, com o consumidor, as usinas elevaram o preço do combustível, atitude que irritou o governo.
Por outro lado, os usineiros afirmam que a exportação de açúcar é mais lucrativa, por isso a fabricação do açúcar foi maior do que o combustível na safra passada.
Para tentar cortar esse aumento, o governo federal marcou uma reunião com usineiros. A expectativa é que o bom-senso predomine e o preço abaixe. Afinal, são incontáveis os hectares de plantações de cana-de-açúcar que temos no Brasil, a mão-de-obra é barata, diminuição na carga tributária para as usinas, enfim, há uma série de incentivos para a produção que não justificam o aumento.(Neilton Tadeu Esteves - RG. 23.107.332-x)