Um dos nove menores infratores que fugiram da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru, no último dia 2, foi apreendido ontem à tarde acusado de furtar um cavalo no município de Piratininga. Ele é o sétimo foragido a ser apreendido pela Polícia Militar (PM) e, assim como outros quatro, foi flagrado durante uma ocorrência policial. Um deles foi localizado na residência da família, um dia após a fuga.
A PM chegou ao fugitivo apreendido ontem depois de receber denúncia de populares.
Após o furto ter sido registrado na delegacia de Piratininga ontem à tarde, o menor foi encaminhado a autoridades policiais em Bauru e provavelmente voltaria à Febem ainda ontem.
De acordo com o sargento Sílvio Urel, de Piratininga, o menor só foi recapturado porque moradores da zona rural estranharam o fato de um desconhecido estar cavalgando naquela região.
A PM foi acionada e os policiais foram até o local, distante cerca de 15 quilômetros da cidade, nas proximidades da rodovia Bauru-Marília. Mas antes que fizessem a abordagem, o adolescente abandonou o cavalo e entrou no mato.
O menor foi perseguido e localizado. “De imediato ele não disse ser fugitivo da Febem, o que só viemos a saber quando chegamos na cidadeâ€, contou o sargento.
Ainda segundo o policial, o menor disse que desde que fugiu da Febem estava escondido na casa de parentes na zona rural de Piratininga e ontem tentaria voltar para a Vila Nova Esperança, bairro bauruense onde sua família reside.
O animal furtado pelo menor foi localizado a cerca de dois quilômetros distante da propriedade de seu dono, no bairro Água da Faca e seria devolvido ontem mesmo.
Antes dele, os últimos quatro foragidos foram apreendidos no dia 5, na Vila Paraíso e foram reconhecidos como autores de um roubo a uma casa no Jardim Terra Branca. Os mesmos adolescentes também foram identificados por vítimas de outros três assaltos em Bauru.
Força-tarefa
Os menores recapturados seriam ouvidos na semana passada por integrantes de uma força-tarefa deslocada a Bauru pela presidência da Febem. O grupo tem como missão investigar as fugas, os motins e possíveis irregularidades cometidas por funcionários na unidade local.
Atualmente, apenas as unidades de Bauru, Ribeirão Preto e Franco da Rocha (São Paulo), das 49 instaladas na Capital e das 19 no Interior, estão sendo alvo da comissão, já que apresentaram problemas de relativa gravidade, de acordo com a assessoria de imprensa da fundação.
Para o atual presidente da instituição, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, fugas, agressões e rebeliões, ainda mais quando reincidentes, são consideradas inadmissíveis.
Por essa razão, a força-tarefa que está na cidade e é formada por advogados da Comissão Processante Permanente da Febem e por funcionários da diretoria técnica, poderá indicar medidas, caso seja necessário corrigir falhas de natureza disciplinar ou pedagógica.
Ainda segundo a assessoria de imprensa da instituição, a investigação está dando mostras de ser mais complexa do que o imaginado, pois normalmente é concluída em aproximadamente três dias. Já se foram sete dias de apurações e ainda não há previsão de término dos trabalhos no município.
Dependendo do conteúdo final do relatório, funcionários e diretores podem ser responsabilizados pelo motim do dia 2, quando servidores e internos foram feitos reféns. Nesse caso, estarão sujeitos a processo administrativo que pode culminar com suspensão e até demissão, além responsabilização criminal. Logo após a fuga, ventilou-se a possibilidade de facilitação por parte dos servidores.
Ontem, o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, ouviu um coordenador da Febem, responsável pela ocupação dos internos na unidade local. No final da semana passada, o juiz baixou uma portaria de sindicância para também apurar as circunstâncias em que ocorreram o motim e a fuga. Ele já começou a colher informações e, numa segunda etapa, vai ouvir os envolvidos.
“Vou observar se o Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA) foi respeitado, já que ele estabelece os parâmetros de internação e os direitos dos abrigados. Não tenho previsão de quando o trabalho será encerrado, mas se alguma irregularidade for constatada, a Febem será acionadaâ€, diz.
Nesse caso, o juiz pode determinar desde o afastamento provisório dos dirigentes até a suspensão do programa, que resultaria no fechamento da unidade.