O pesadelo de Bertin, dono de um dos principais frigoríficos do Brasil, teve início no dia 8 de setembro do ano passado. Ele havia saído para buscar leite na Fazenda Santa Deli, em Sabino. Ao descer do carro, cinco seqüestradores o agarraram e o colocaram em uma Blazer.
“Todos os dias ele ia buscar o leite para doar para o pessoal carente. Era um dos serviços que ele fazia. No domingo, ele poupava o funcionário e ia até láâ€, explica Reinaldo.
De acordo com o delegado assistente da Delegacia Seccional de Lins, Marcos Buarraj Mourão, em um bilhete, a quadrilha pedia US$ 3 milhões à família.
“No bilhete, eles diziam que caso não pagassem em 30 dias, o resgate seria de US$ 5 milhõesâ€, afirma.
Os contatos eram feitos sempre de um telefone celular de São Paulo. Apenas Natanael Bertin, um dos dez filhos do empresário, recebia os telefonemas em seu telefone móvel.
Inicialmente, as ligações eram feitas a cada 30 dias. O intervalo foi reduzido para 20 dias e, posteriormente, a freqüência foi diminuída para dez dias. “Eles passaram longos períodos sem ligar. Nos primeiros noventa dias, as ligações foram só mensaisâ€, diz Reinaldo.
Em outubro, uma fita cassete foi enviada à família com imagens de Bertin. Era uma garantia de que ele passava bem. “Na época, foi uma tranqüilizada muito importanteâ€, afirma Reinaldo.
Apesar das garantias, a família temia pela vida do empresário. “Qualquer pessoa seqüestrada corre risco. Mas nós temos muita fé e rezamos bastanteâ€, destaca Reinaldo.
No último contato, feito há seis dias, os seqüestradores pediram US$ 800 mil como resgate. “Caso houvesse a negociação, lógico que teria que ter a prova de vidaâ€, expõe o delegado.
A família informou que não pretende fazer grandes alterações no que refere-se à segurança. “Estamos só vivendo essa emoção e a felicidade de tê-lo aqui outra vez. Acho que a gente vai tomar os devidos cuidados como sempre, mas nada de diferenteâ€, acrescenta o filho.