10 de julho de 2026
Política

Para Paquito, 'salve-se quem puder'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O vereador Osvaldo Paquito (PPS) não está esperançoso de que poderá sair ileso da difícil situação em que se encontra. “Nessa hora, salve-se quem puder”, desabafa, reclamando a falta de apoio de colegas de plenário e do partido a qual está filiado, o PPS.

Na segunda-feira, a vida de seu mandato parlamentar poderá iniciar uma contagem regressiva, que caminha para desembocar num traço linear: a cassação.

O vereador já admite que discute com seu advogado, Valdomir Mandaliti, a possibilidade de renunciar ao mandato para escapar de uma virtual cassação de seus direitos políticos.

Uma vez instalada, o trâmite de uma Comissão Processante (CP) não será mais interrompido, mesmo que o parlamentar renuncie a função durante o processo.

Se o fizer antes, interrompe a formalização da denúncia ao plenário da Câmara e garante, por mais um tempo, seus direitos políticos, já que na Justiça comum a punição não deve ser descartada.

Um dia após ver seu nome incluído no relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras e na lista dos vereadores que podem enfrentar uma CP, Paquito concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Cidade:

Jornal da Cidade - Recentemente, o senhor já não descartava a possibilidade de renunciar ao mandato de vereador. Esse posicionamento ainda prevalece? Osvaldo Paquito - Tudo passa pela cabeça da gente. Eles (vereadores que integram a CEI das compras) criaram uma situação para mim que só eles entendem. Essa situação não existe. Não devo nada. Conversando com o Garmes (vereador Toninho Garmes) hoje de manhã (ontem), ele me falou: ‘Paquito, decoro parlamentar vai da cabeça do cara que está analisando. Se ele achar que é, é’. Não tem uma regra, uma lógica, uma lei. O julgamento é político.

JC - O senhor contratou um advogado para defendê-lo das denúncias que lhe são imputadas. O assunto renúncia já faz parte da relação cliente-advogado? Paquito - No momento, eu não tenho uma posição definida. Estou conversando com o doutor Mandaliti e estou estudando o clima aqui dentro (da Câmara). Eu poderia ter continuado na CEI, mas decidi sair para explicar o que me aconteceu. Fiz besteira. Deveria ter continuado. Eu poderia ter ficado na CEI e condenado o Santana (José Humberto Santana, relator da CEI das compras) justamente. No entanto, ele (Santana) foi para a CEI e me condenou injustamente, determinou a mim uma sentença. Eu poderia ter feito isso com ele. E se eu fizesse com ele, faria justamente. Por minha vontade, até renunciaria. Mas você comenta com os amigos que vai renunciar, eles falam: ‘Pô Paquito, mas você não deve nada’. Os caras não entendem que você está entre a cruz e a espada. Os caras aqui não agem com decência.

JC - Se o senhor renunciar antes da Comissão Processante, pretende disputar novamente as eleições do ano que vem à Câmara Municipal? Paquito - Eu tenho certeza disso. Na eleição passada, minha campanha foi feita por 30, 40 pessoas, sem nada, sem um tostão. Hoje, eu arrumaria 100, 150.

JC - O senhor está querendo dizer que o fato de estar no foco da CEI das compras provocou um resultado positivo a seu favor? Paquito - Nossa senhora! Você nem imagina. Fui no Banco do Brasil descontar um chequinho meu, do meu salário. Veja bem, é chequinho do meu salário, hein! Conversei com um amigo que me disse não acreditar no que está acontecendo. Onde eu vou, na rua, os caras mandam abraço, força. Tenho mais de 200 pessoas que estou marcando na minha agenda. Esse é o respaldo moral que tenho. Se amanhã eu sair candidato, com certeza essas pessoas vão me ajudar.

JC - O senhor é filiado ao PPS, partido do prefeito Nilson Costa. O senhor acha que o partido deveria lhe respaldar, lhe dar apoio nesse momento? Paquito - Sabe o que acontece ... Eu penso assim: nessa hora, salve-se quem puder. Eu tenho exemplos aqui dentro da Câmara. Exemplos claros. Eu espero estar errado. São coisas que decepcionam. Não estou decepcionado com o partido porque eu não vivo em função dele. Nem me lembro que o PPS existe. Tenho meu mandato, convivo com as pessoas que são do partido. Não sou ligado a sigla. Se o cara for meu companheiro da Câmara, até mesmo adversário, e ele for injustiçado em algum problema, podem vir 2 mil pessoas aqui em frente. Serei a favor dele e acabou.

JC - O senhor defende que a denúncia de que José Humberto Santana teria viajado a Brasília com veículo da Câmara para participar de casamento de um familiar deve ser apurado? Paquito - Alguém vai ter que mexer nessa história. Se alguém pedir Comissão Processante para ele, pode ter certeza de que estão garantidas sete assinaturas. Não é possível. Os caras se acham no direito de se esconder atrás dessa susposta moralidade que eles pregam e julgam você.