09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Especulação eleva preço de verduras

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Após as intensas chuvas de janeiro, que prejudicaram a produção de leguminosas e hortaliças na região de Bauru, a especulação tem impulsionado a elevação nos preços desses produtos para o consumidor final.

“A expectativa de perda ou prejuízo faz com que o produtor e o intermediário aumentem o valor cobrado pelos seus produtos”, diz o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde. Ele enfatiza que, nessa fase do ano, são muito comuns as elevações de preço em conseqüência do clima. “Isso ocorre todos os anos”, recorda.

Lima Verde comentou ainda que a situação deve se normalizar dentro de 20 dias, já que hortaliças e leguminosas - as mais afetadas pela alta de preços - são cultivos de ciclo curto. “Se o clima continuar como está, em pouco tempo a produção estará recuperada”, frisou.

Segundo o gerente de compras de uma rede de supermercados da cidade, Paulo Sanches, as verduras e legumes subiram, em média, de 35% a 50%. O preço de custo da alface aumentou cerca 37%, passando de R$ 1,16 a R$ 1,59. No entanto, Sanches informou que apenas 10% da elevação foi repassada para as vendas. Com relação à rúcula, a alta foi ainda maior, chegando a quase 100% no preço de custo.

O peso a mais no bolso do consumidor já provoca reclamações. “Os preços das hortaliças estão assustadores em todos os supermercados. Tenho que tomar cuidado para não cair dura de tão exorbitantes”, declara a psicóloga Maria Andrade, acrescentando estar até tentando inventar pratos novos para fugir dos produtos caros.

E além de pagar mais, o consumidor ainda recebe um produto de baixa qualidade. “As verduras estão caras e feias, com qualidade e preços ruins, por isso, a gente compra menos ou leva outra coisa. Se o alface está ruim, compro rúcula”, exemplifica a professora Adriana Oliveira.

Já a aposentada Terezinha Cunha queixa-se das condições das hortaliças nas feiras livres da cidade. “Está tudo caro e muito estragado. No mercado, está um pouco melhor”, compara.

Produtividade

Sanches esclarece que o aumento dos preços e a falta de qualidade se devem à queda de produtividade provocada pelas chuvas intensas e temperaturas altas. Segundo ele, os fornecedores têm se queixado de um declínio de aproximadamente 50% na produção. “Com a chuva e o calor excessivo, está difícil achar verduras”, comenta o gerente.

A produtora rural Silvia Gonçalves confirma o número. “Perdi de 50% a 60% da minha produção. A chuva forte desenterra as hortaliças e, quando sai o sol, queima a raiz da planta”, explica. Ela também ressalta que, neste ano, as chuvas foram mais constantes do que no mesmo período do ano passado. “A chuva judiou muito”, lamenta.

De acordo com o responsável pela compra de verduras de outro estabelecimento da cidade, Gérson Firmino, a margem de lucro dos supermercados foi diminuída nos itens de folhagens. “Isso porque fica difícil repassar todo esse aumento ao consumidor final”, constata. Questinado se há algum produto que se mantém com o mesmo preço, respondeu: “Está difícil oferecer alguma opção entre hortaliças e leguminosas. Todos os produtos desse segmento foram afetados”, lamentou. Mas ele acredita que, assim que as chuvas derem um trégua, os preços devem voltar ao normal.