08 de julho de 2026
Geral

Conseg tenta tirar crianças das ruas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul está tentando viabilizar uma força-tarefa envolvendo vários setores da sociedade para tirar crianças das ruas de Bauru. O órgão estima que entre 60 e 80 crianças e adolescentes passam boa parte do dia nas ruas, pedindo dinheiro em semáforos.

Primo Mangialardo, presidente do Conseg Centro/Sul, avalia que se os conselhos ligados ao setor de criança e adolescente, entidades e a população se unir, é possível retirar todas as crianças das ruas. “Acho que o número de crianças nas ruas não é tão alto que não seja possível investigar uma por uma, saber porque elas estão nas ruas, e encaminhá-las para atendimento”, diz.

A problemática das crianças de ruas, que pedem dinheiro principalmente em semáforos da avenida Getúlio Vargas, foi discutida na reunião mensal do Conseg Centro/Sul realizada ontem na Câmara Municipal. O promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, que participou da reunião, ressalta que é preciso achar uma solução.

Ele adianta que instaurou um procedimento na Vara da Infância e Juventude no qual cobra do Conselho Tutelar e da Prefeitura de Bauru um estudo sobre a faixa etária das crianças e o que as levou para as ruas. “Primeiramente é preciso fazer um estudo detalhado dessas crianças. Sabendo o perfil delas, é necessário criar programas para atendê-las”, explica.

Oliveira reconhece que a falta de verbas dificulta a criação de novos programas de atendimento. No entanto, frisa que o poder público e as entidades, com a ajuda da sociedade, precisam encontrar uma solução. Mangialardo concorda que as entidades podem fazer mais pelos meninos e meninas de rua.

Para ele, uma medida que pode ser colocada já em prática é o funcionamento das entidades o ano todo, sem férias. “Sabemos que na época das férias aumento o número de crianças nas ruas porque elas não têm onde comer, atividades para fazer”, diz.

Mangialardo, que é presidente dos Pequenos Obreiros de Curuçá (POC), entidade que atende meninas e meninos até 14 anos, na Vila Dutra, quer dar o exemplo. “O POC não vai fechar para as férias neste ano, para poder atender os meninos”, promete. O Conseg marcou uma outra reunião, para o próximo dia 19, na prefeitura, para tentar acertar os detalhes da força-tarefa.

Para Egli Muniz, diretora da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), é preciso começar a agir logo. Ela, que no ano 2000 coordenou um levantamento das crianças de rua de Bauru, acredita que a solução é cada entidade atender três ou quatro meninos de rua.

Egli sugere que a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) faça a articulação entre as entidades que já atendem crianças e adolescentes para poder absorver os que estão nas ruas. “Nós temos 17 programas de atendimento na faixa etária de 11 a 14 anos, que podem buscar ajuda do empresariado, da população, para atender esses que estão fora”, completa.